terça-feira, 6 de junho de 2017

Existem os casos simples e fáceis - 2ª TEC - 1ª eco

Depois existe o meu.

Hoje é o 11º dia do ciclo. E ainda temos o endometrio e o foliculo pequenos.

Quinta temos novo controle ecográfico. Terei o prazer de conhecer a IVI de Vigo. (Diga-se de passagem que fica bem mais perto que Lisboa!!). Ora eu que sou péssima a ablar com nostros hermanos, mas lá terá que ser. Poderia fazer a ecografia em qualquer centro desde que obtivesse o relatório no próprio dia para enviar à Dra. C. para ela decidir se seguimos para a TEC ou cancelamos o ciclo, mas se o manhoso do endometrio estiver bem tenho que adquirir a progesterona intramuscular e terá que ser na IVI, parece que aquilo não está à venda nas farmácias. Mais uma voltinha, mais uma viagem. Desta vez até Vigo (em vão me parece!)

A Dra. C. está otimista que isto vai evoluir, até já nos deu os papéis para a TEC. O endometrio só tem 4,5 mas o folículo está bastante pequeno ainda. Nos dois último ciclos cresceu bem. Diz ela que hoje foi um mau timing. Ora eu, que não ando nisto há 2 dois, digo que este ciclo já era. Eu sei que no ciclo anterior a ecografia foi feita no 12º dia e às 20h da noite, este foi feito no 11º e às 9h da manhã... há alguma margem. Se considermos o 1º dia de sangue mais abundante até consideramos este o 10º dia, mas caramba... tinha que ser tudo tão difícil aqui para os meus lados?! Até o meu marido diz que é melhor estarmos preparados para o pior na quinta. Ele que é um otimista por natureza já se está a habituar à nossa triste sina. E que assim seja. Não posso fazer nada para o endometrio crescer é preferível aprender a conviver com isso. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Estava aqui em pensar...

No quanto é mais fácil pensar que vai correr tudo mal, do que pensar que vai correr bem.

Neste momento, estou a convencer-me que tenho quistos no ovário esquerdo, ou que devo ter mesmo qualquer problema no útero. Já tenho praticamente a certeza que vou ter que fazer uma histeroscopia e um algum grande tratamento antes da próxima TEC. A próxima a seguir a esta que será negativa novamente. Mas porque raio penso eu estas coisas?! Não podia simplesmente limitar-me à minha ignorância no assunto e limitar-me a esperar pela ecografia de terça feira. A isto chama-se sofrer por antecipação, um dos inimigos da inteligência emocional. Se eu sei isto tudo, porquê que continuo a traçar um plano de vida na minha cabeça, como se eu fosse uma espécie de visionária? Será medo? Será o querer preparar-me para o pior, pensado que o pior será mais fácil por eu estar preparada, quando a experiência me tem mostrado que é (muito) mau na mesma? Infelizmente muitas vezes estou certa quanto ao meu futuro. Tem outras que a vida me surpreende agradavelmente, embora as vezes que estou certa serem maiores que as que sou surpreendida. 

Mas caramba... eu podia relaxar mais, deixar a vida rolar, quer tenha quistos ou problemas no útero, eu não posso fazer nada para mudar isso, porque raio estou preocupada com isso agora? E o pior é que penso cada vez mais nestas coisas todas... acho que estou a "fritar a pipoca". Ou então a precisar de uma pausa de infertilidade. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Meu querido junho

Hoje começa um novo mês que, se tudo correr bem, será marcado por uma nova transferência. Sempre adorei o mês de Junho, é a minha altura preferida do ano... vamos a ver se nao me trará mais uma desilusão.

Se tudo correr bem, que nestas coisas nunca se sabe, este mês iremos fazer a terceira transferência (já começa a assustar este número!). Não posso negar que tenho alguma esperança neste tratamento. Mas não consigo deixar de pensar que vai acontecer a mesma coisa que as anteriores e esses pensamentos inquietam-me mais do que gostaria. Tenho um medo quase paralisante... por vezes sinto-me tentada em adiar está TEC só pelo medo que corra da mesma forma que a anterior. Além de não me trazer o tão desejado filho, ainda me faz sentir a pessoa mais anormal na face da terra. Mas por incrível que pareça sinto-me mais calma que na transferência anterior.

Neste momento irei fazer uma transferência com uma alteração (enorme) de protocolo. Quer dizer, a única alteração é o dia que será feita a transferência, mas isso é uma diferença significativa. Neste momento estou na primeira fase do ciclo, sem qualquer fármaco, supostamente o endometrio está a crescer naturalmente. Obviamente que só terei a certeza na próxima terça quando for fazer a ecografia. Digamos que não confio 100% (nem 50, quanto mais 100%) no meu endometrio.

A ideia de uma vida sem filhos, continua a não me assustar como já assustou. Obviamente que ainda me restam algumas opções e não sei se não será por isso. Como já disse, vou literalmente dar o corpo (e a mente) às balas enquanto tiver embriões e quero mesmo muito ter um filho com o meu marido. Sei que a nossa vida irá ser indiscutivelmente mais feliz, mas se não for possível terei que aceitar isso.

terça-feira, 30 de maio de 2017

ERA report

Felizmente já sei o resultado da biópsia. Foi bem mais rápido que os 10 dias e ainda bem. Digo felizmente porque finalmente temos resposta para algumas situações.

O resultado do exame foi "endométrio pós recetivo". E este resultado foi o melhor resultado que poderia dar do ponto de vista de compreender a situação. Significa que estamos a fazer a transferência mais tarde do que seria suposto, logo o embrião tem poucas hipóteses de implantar. Provavelmente tenho realmente uma fase lútea menor que 14 dias, e isso a progesterona intermuscular poderá ajudar ou não, mas transferindo um dia antes sempre damos mais hipótese ao embrião de implantar... Uma coisa é certa, tenho a janela de implantação deslocada relativamente ao padronizado. Eu disse que era uma ave rara. Ainda bem que existem estes exames cada vez mais específicos para quem sai fora do padrão como eu.

A Dra. C. acha que podemos avançar já para uma nova transferência. Faria sentido fazer uma histeroscopia se o resultado do exame viesse normal. Uma vez que um endometrio pós recetivo justifica a não implantação e é coerente com uma fase lútea menor, podemos com segurança fazer a TEC. Se não correr bem, fazemos o estudo a eventuais problemas no útero (mas isso sou eu a supor). Assim sendo, desta vez vamos fazer a transferência um dia antes do habitual, e agora é rezar para que o endometrio esteja a crescer bem e não pregue nenhuma surpresa quando for fazer a avaliação na próxima semana.

Fiquei contente com o resultado do exame. Deu-me uma nova esperança. Arrisco dizer que farei esta TEC com mais esperança que a anterior. Estão justificadas algumas questões. Digo isto agora, daqui a alguns dias não sei. Mas nesta história da infertilidade em que os momentos maus são incomparavelmente maiores que os bons, tenho que me permitir a estar feliz hoje. Amanhã logo se vê.

  

sábado, 27 de maio de 2017

Tempos de mudança

Ontem fui presenteada com o Mr. Red. Um ciclo de 22 dias, é uma fase lutea de 10. O meu marido acredita que foi normal, tomei progesterona intramuscular durante 6 dias, quando parei evidentemente o meu copo sentiu falta dela. Para mim não há explicação possível. Segunda vou ligar para a Dra. C. a contar o ocorrido e vou sentir-me novamente uma ave rara. E entrei em desespero... não saber o que se anda a passar comigo anda a consumir-me... pela primeira vez sinto-me a perder a esperança é entrei em desespero.

Depois de uma longa conversa com o meu marido senti-me em paz. Pela primeira vez senti uma certa paz em visualizar o nosso futuro sem filhos. Essa ideia já não me assustou, e cada vez faz mais sentido para mim, para a minha situação. Acho que pela primeira vez acreditei verdadeiramente no meu marido quando diz que não será o fim do mundo se não tiver filhos, e que só quer aproveitar os melhores anos da nossa vida comigo. Os filhos seriam um ótimo acréscimo, mas se não acontecer paciência. E ele é também a minha prioridade, o meu amor maior. Secalhar conseguimos mesmo viver uma vida feliz sem filhos, é uma questão de encerrar este assunto e seguir em frente. Evidentemente estamos num ponto que não podemos desistir. Temos 6 embriões congelados... e até acabarem vamos lutar por eles, mas depois acabou. E até lá só espero aprender de uma vez a viver com a ansiedade e a incerteza. Não tenho outra alternativa. 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Resumo de 1 ano de infertilidade

Já passou 1 ano desde a primeira consulta de infertilidade propriamente dita. Verdadeiramente foi no início de 2016 que começou a nossa luta por um filho saudável. Mas a primeira consulta de ginecologia especificamente foi no início de maio e a primeira pica da primeira estimulação foi dia 15 de junho (1 dia depois do 2º aniversário de casamento). Desde aí até então já passamos por tanto... 

Há 1 ano atrás, do ponto de vista da infertilidade, era um caso simples de resolver. Era só arranjar um embrião viável no DGPI e o resto estava feito. Afinal nenhum de nós tinha problema reprodutivos. Aliás  os exames hormonais e anti-mullerianos previam uma estimulação fácil, tudo maravilha portanto. Hoje já passamos por dois tratamentos com DGPI, o nosso plano inicial, uma primeira estimulação que começou mal, mas chegamos ao fim com 4 embriões autopsiados mas todos mutados. Uma estimulação sem transferência e um grande choque emocional. O primeiro...Um grande azar. Obviamente tínhamos que seguir o plano novamente. A 2ª estimulação correu bem melhor, um resultado bastante melhor embora com doses muito grandes de hormonas, onde foram biopsados 6 embriões e 2 não tinham mutação e foram transferidos. Até aqui tudo bem... o pior foi ter menstruado ao 7º dia após a transferência. Entre as duas estimulações ainda apareceu um quisto folicular no ovário esquerdo que me enervou à brava e me fez esperar 3 meses para fazer um novo tratamento. Depois de 2 tratamentos falhados, o tempo a passar, claramente com estimulações difíceis, resolvemos mudar de estratégia. Otimizar o processo e recorrer a ovodoação. A verdade é que a idade vai avançando, eu tenho claramente o tempo contra mim, não posso andar nisto até muito mais tempo por uma questão de saúde. E a verdade é que, aparentemente temos a questão dos embriões resolvidos. Temos 6 bons embriões à espera que estejam reunidas as condições ideias para se implantarem. Já fizemos uma TEC com esses embriões onde menstruei precisamente ao 7ºdia como na 1º transferência... e agora já não pudemos culpar o acaso. Temos sim, que perceber o problema e tentar resolver. Tem dias que penso que não terá solução... secalhar é porque não tem que ser. Já começam a ser demasiados obstáculos... mas no meu íntimo ainda não desisti de dar um filho ao meu marido. Marido esse que me diz que se não tiver filhos certamente não será o fim do mundo... Já eu, quando me disserem que acabou a esperança, não sei se não será o "meu fim do mundo".

Tudo isto para refletir que o último ano não foi fácil. Foram algumas viagens que deixaram de ser feitas por dar sempre prioridade aos tratamentos. O trabalho passou a ser a menor das minhas preocupações. Afastei-me de muitos amigos pois não consigo conviver com grávidas, bebés e vidas perfeitas (shame on me), acho que envelheci 10 anos... há 1 ano atrás via ao espelho uma menina, hoje vejo uma mulher com muita tristeza. Neste último ano perdi muita coisa... mas a mais importante e castradora foi a capacidade de sonhar. E essa só a recuperarei se conseguir dar um filho ao meu marido. Até lá... limito-me a viver um dia depois do outro, e neste momento move-me a necessidade de perceber o porquê de não resultar comigo, o que é aparentemente fácil com outras mulheres. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Já ERA

E o ERA já está. Daqui a cerca de 10 dias sei o resultado.

Certamente que não é como comer um gelado mas também fiz um filme muito, mas muito pior na minha cabeça. Digamos que é semelhante ao papanicolau. Eu avisei que era a maior mariquinhas da história da infertilidade. Agora é viver com o desconforto causado por mais umas horas e rezar para que o resultado seja, pelo menos conclusivo e não tenha que repetir este exame.

Essa foi a parte boa. A parte má é que a Dra. C. não acha "normais" os meus escapes sanguíneos. Muito menos com a progesterona intramuscular como estava a tomar. Claro que não são normais. É necessário ter a certeza que está tudo bem com o útero. Não podemos correr riscos e desperdiçar embriões. Claro que não podemos. Basicamente entendi que, seja qual for o resultado do ERA, o próximo passo é fazer uma histeroscopia diagnostica. Eu já fiz uma precisamente há 1 ano atras... mas isso foi antes de começar os tratamentos, muito pode ter sido alterado. Mais um ciclo... e não sei se ficaremos por aqui. Basicamente vejo uma próxima TEC muito longe de acontecer... e só me ocorrem palavras menos bonitas na minha mente. Mas claro que temos que ter a certeza que está tudo bem, e se não estiver tratar, antes de desperdiçar mais embriões. Não esperava outra coisa da IVI... aliás um dos motivos porque escolhi está clinica foi porque me pareceu que não arriscavam nada. E, para pessoas com pouca ou nenhuma fé, só a ciência nos move. Eu quero otimizar ao maximo este processo, daí ter abdicado do meu DNA, mas caramba... já merecia que corresse bem. Não sei... digo eu. 

Perdoem-me o deprimente desabafo, este post era só para dizer a quem me lê que se tiverem que fazer uma biópsia ao endometrio, não custa nada ;-)