quarta-feira, 29 de julho de 2020

Habemos data

17 de agosto...

Voltaremos ao IVI. Voltaremos a ter consulta com a nossa querida Dra. Catarina para fazermos um ponto da situação. Saber se poderemos utilizar os embriões restantes, saber como andam os meus ciclos. Estou a tomar a pílula, espero que os meus ovários açanhados estejam em calmaria. 

E eu como me sinto?
Sei lá como me sinto. Sinto-me plena, realizada e feliz com a Ali. Não preciso de mais nada. Mas penso que a Ali será mais feliz se tiver um irmão. O meu marido quer muito fazer as transferências. Está todo motivado. Eu irei fazê-las por ele e pela Ali. 

Não me imagino a passar por uma gravidez novamente. Foi muito complicada a nível emocional. Se por acaso, por milagre, alguma das transferências correr bem, tenho que gerir uma próxima gravidez de maneira diferente. Não posso viver em pânico 30 e tal semanas. Não o poderei fazer pela minha filha. O meu casamento ressentiu. 

Agora que me sinto bem, equilibrada emocionalmente, o meu casamento está a recuperar de toda a indiferência que lhe depositei durante os anos de tratamentos, e principalmente durante a gravidez, vou entrar neste mundo novamente... mas a ser, tem que ser agora. No final do ano faço 35 anos, o meu problema de saúde irá trazer-me limitações de saúde mais cedo ou mais tarde. Tem que ser já, e já é tarde. 

Uma coisa terei que trabalhar em mim Tenho que encarar os tratamentos de maneira diferente, pelo meu bem, e pelo bem da minha família. Não posso deixar que me afectem como me afectaram. Eu tenho uma filha. Ela é o mais importante, o que vier a mais, se vier, será muito bem vindo e seremos ainda mais felizes. 

quinta-feira, 16 de julho de 2020

A ganhar coragem

Agora que a pandemia está mais calma, ou melhor já aprendemos a (con)viver com ela, estou a ganhar coragem de ligar para a IVI. Ganhar coragem de abrir a caixa de pandora.

A Ali já tem 19 meses, está cada vez mais autónoma (para aquilo que é um bebé de 19 meses), e talvez esteja na hora do agora ou nunca. Saber em que estado está o anonimato dos dadores, e se tudo estiver nos conformes, realizar as duas últimas transferências. 

Como me sinto em relação a isso? Sinceramente a carga emocional será muito diferente. Se ficar com a Ali, o mais provável, fico feliz. Tranquila. A minha bebé é a luza da minha vida. Mas quero que corra bem. Gostaria muito que a Ali tivesse um irmão. Acho que seria mais feliz se tivesse um irmão. 

O meu percurso, como sabem, não foi dos mais fáceis, deixou marcas. Marcas essas que na maioria dos dias não me lembro. A recompensa é a mais maravilhosa de todas. Passava por tudo novamente para que pudesse ter a Ali comigo. A minha companheira, o amor maior da minha vida. Não sei se seria capaz de amar mais alguém como a amo a ela, mas estou disposta a arriscar. 

terça-feira, 19 de maio de 2020

I´m back

I´m back e quem sabe back a estas andanças que tanto marcaram a minha vida.

Que tempos loucos estes que estamos a viver. Antes de mais um beijinho muito grande para quem se encontra grávida nestes tempos malucos e incertos. 

No próximo mês vamos mudar de casa. Iupii, o meu pequeno T2 estava muito pequeno para 3 humanos e 2 patudos e por isso vamos mudar para um maior. Obviamente que a conversa da casa trouxe à baila o tema "O que fazer aos embriões que estão na IVI?". O meu marido sempre a puxar a conversa e eu sempre a desconversar. "Ah a Alice ainda não dorme a noite toda, ando exausta (mentira, não andava)". Pimbas a miúda já há 2 meses que tem um sono invejável. "Ah ainda é muito pequenina, precisa muito de mim ainda". É verdade, indiscutível, mas no meu caso é agora ou nunca. Para ser, tem que ser já. Não sei o que o futuro de reserva a nível de saúde e quanto mais cedo melhor, sendo que já é tarde. Obviamente que essa questão me preocupa, mas o que me leva a não querer fazer as tecs é o facto de achar que serei incapaz de amar alguém como amo a Alice. Ela é o meu TUDO. Não sei se todas as mães passam por isto, mas eu não sou capaz de imaginar ter que dividir a atenção que lhe dedico com mais alguém. Ela merece 100% de mim. 

Nunca pensei dizer isto, mas tenho muito mais medo que resultem do que não resultem. A probabilidade de resultar em gravidez é baixíssima, talvez por isso esteja quase convencida a arriscar. Mas e depois? Metem-me lá o embrião e não vou querer que resulte? Claro que não vai ser assim. Vou-me afeiçoar, vou querer dar um irmão à minha princesa, depois vai dar negativo e vou voltar àqueles lugares sombrios onde não tenho saudades nenhumas de estar. Além disso não fui uma apaixonada por andar grávida. Gostei da experiência, mas não estou ansiosa por repeti-la. Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas... Mas no meu coração gostava que a minha princesa tivesse um irmão. Eu não tenho, não posso dizer que me faz falta porque não conheço outra realidade, mas reconheço que a relação com um irmão é insubstituível. Ter-se-ião um ao outro para ultrapassar os obstáculos da vida. E só por isso, vamos deixar acalmar a pandemia, e vamos voltar à IVI. Conscientes que a probabilidade de resultar à baixíssima, e ambos de acordo que só iremos usar os 2 embriões que nos restam.   

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Decisões pendentes

Olá minhas queridas :)

Já há muito tempo que não escrevo nada por aqui. A Ali completou ontem 13 meses e deu os primeiros passos sozinha. Parece surreal que a minha bebé já anda... ainda há dias andava eu por aqui a preparar transferências de embriões e agora o meu embrião lutador já começa a caminhar sozinha. A passagem do tempo ganha outra dimensão quando acompanhamos o crescimento de um filho.

Com o primeiro aniversário da Ali, a viragem do ano, a decisão de mudar de casa, começamos a questionarmos quanto ao destino dos 2 embriões que nos restam na IVI. E que questão difícil essa... Em primeiro lugar nem sei como está a lei do anonimato dos dadores. Não sei se a minha dadora autoriza a alteração do anonimato, nem sequer sei se as clínicas continuam a ter que contactar as dadoras nesse sentido. Nada que um telefonema para a IVI não esclareça esta questão. Mas isso seria abrir a caixa de pandora... será que eu quero fazer nova transferência? Será que quero mais um filho? Tenho perfeita noção que mesmo que os transfira, pelo meu histórico, será muito difícil dar um irmão à Ali. E a complicação que será conciliar ecogarfias (em Lisboa!) com uma bebé pequenina? Será muito difícil... iria perder tempo precioso que poderia passar com a minha bebé. Basicamente em dias de eco/consultas/ procedimentos ela teria que dormir na casa da minha mãe... e o jogo de cintura no trabalho? Só regressei de licença em agosto e já vou voltar a falhar novamente? E caso resulte? Passar novamente por uma gravidez não é coisa que me seduza. Não posso dizer que tenha adorado passar pelo estado de graça. Com tudo isto penso que tenho uma resposta na minha cabeça. Por mim, não transferia os embriões restantes. A minha bebé é tudo para mim. Preenche-me e completa-me na plenitude. Eu não preciso de mais nada, apenas que ela seja feliz e saudável. Mas, pelo primeira vez na vida acho eu, o meu marido não está de acordo comigo. Por ele, se for possível, gostava de transferir os embriões restantes. Ele cresceu numa família grande, eu não. Talvez esteja aí a nossa diferença. Ele reconhece que com a Ali conheceu um amor arrebatador que nem sequer estava consciente que existia. Temos muito que conversar lá em casa. 

No fundo eu sei que se for possível irei caminhar pela infertilidade novamente. Irei fazer as transferências. E irei fazê-las porque o mais importante é a Ali. E sei que será mais feliz e completa se tiver um irmão. Não iria ficar bem comigo mesma sabendo que lhe poderia ter concedido essa experiência e não o fiz por egoísmo. Pode até nem resultar, que será o mais provável mas pelo menos não ficarão "ses" na nossa história.   

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Nós por cá

Hoje apeteceu-me escrever neste blog. Não tenho nada de especial para partilhar no que toca a (in)fertilidade, mas apeteceu-me. Talvez um dia a Ali venha a ler este blog, talvez seja renegado para um confim qualquer virtual, não sei, mas acho que gostava que ela o lê-se. Gostava que ela tivesse alguma ideia de como é um bebé muito desejado, muito sofrido, mas muito amado. Mesmo quando não parecia possível que se fosse concretizar, o amor que sentia por esse hipotético filho, já era imenso. No fundo é o que todas as mães sentem, acho eu. 

A Ali já conta com 9 meses e meio e está irresistível. Já gatinha e se consegue por de pé. Aliás, só quer estar de pé. Está super activa e por isso não fica muito tempo sem a presença de um adulto. Já está na creche e adora andar lá. Isso acalma imenso o meu coração. Não chorei quando a deixei lá no primeiro dia (já tinha regressado ao trabalho à 1 mês, mês esse que ela passou com a minha mãe, e dessa forma pude fazer uma transição gradual), mas emociona-me vê-la com as outras crianças. Emociona-me vê-la a aprender a conviver, a conhecer coisas novas, a descobrir o mundo. No fundo é o que mais desejo... que ela conquiste o mundo, pois eu estarei sempre (enquanto me for possível) a assistir na primeira fila e a aplaudir as suas vitórias e consolar as suas derrotas. A minha querida bebé não é minha, é do mundo, e vê-la a voar (pequenos, pequeníssimos!) voos sem mim, é a maior conquista da minha vida. 

A parte menos boas de ter voltado ao trabalho é as saudades que sinto dela. Pensar que só tenho o privilégio de estar cerca de 3h por dia com ela é doloroso. Também me custou aceitar que não seria eu a assistir na primeira fila às suas pequenas conquistas diárias. Sei por exemplo que começou a gatinhar autonomamente no colégio, eu não estava lá para a ver e encorajar. Mas depois lembro-me do que já acima referi... ela vai viver muito sem mim. A minha função é estar por perto para tudo que ela precisar. 

A Ali é um bebé maravilhoso. Não mudaria absolutamente nada nela (inclusive o seu conjunto de genes). É a minha bebé milagre, o meu amor maior. E veio trazer um novo sentido à minha vida. Pode parecer um exagero, um lugar comum, uma patetice até, mas todos os dias sou muito grata por esta filha que a vida me deu.

E hoje é um dia muito feliz. Nasce mais um bebé milagre destas andanças da (in)fertilidade. E eu sou imensamente feliz quando isso acontece.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Melhor de Mim





Lembrei-me de partilhar aqui esta música porque, na minha perspectiva, trás uma mensagem de esperança para nós enquanto passamos pelos tratamentos de infertilidade. Muitas vezes nos últimos 3 anos ouvi esta música e as lágrimas teimavam em aparecer. Mas também me trazia muita esperança e, até, me lembrava que tinha que continuar para conhecer o tal melhor de mim. Hoje sorrio, sorrio muito ao ouvi-la. 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

6 meses de um amor maior

No passado dia 12 a Ali fez 6 meses. Meio ano? Alguém me explica como é que já se passaram 6 meses?!

Não há um único dia em que não seja grata pelo privilégio de ter esta bebé. Sinto-me agradecida ao meu marido por embarcar nesta aventura comigo, à IVI por o tornar possível e, também, à mulher que nunca irei conhecer por ter doado os seus óvulos. Tenho alguma pena de não ter apanhado a mudança da lei do anonimato e que a Ali nunca a venha a conhecer.

A maternidade é realmente a grande viragem da nossa vida. Existe um antes e um depois da Ali. O antes foi um caminho duro de percorrer mas o depois é um caminho maravilhoso. Já não sei o que é dormir uma noite completa há 6 meses, jantares fora com ela é complicado porque às 20:30h já quer ir para a caminha e só agora tem autonomia suficiente para a deixar com a minha mãe e sair um bocadinho com o meu marido, as viagens fora do país só talvez lá para o final do ano, e mesmo as férias a sul são bem diferentes agora. Tem que ser tudo family friendly. E não são só estas questões de logística que mudaram. Eu mudei. Sou muito mais paciente e tolerante agora. Acho que também sou mais feliz... acho não, tenho a certeza. Já deveria ter voltado ao trabalho, mas resolvi estender a licença de maternidade mais 3 meses. É uma fase, no meu caso, provavelmente única na vida e quero aproveitar ao máximo a minha bebé. Só em setembro irá para a creche, com 9 meses, ainda vai muito a tempo. 

Não tenho escrito muito neste cantinho mas tenho passado frequentemente pelo forum e acompanhado as vitórias e, infelizmente também, as derrotas de quem como eu percorre os caminhos da infertilidade. Quero que saibam que desejo que todas consigam conhecer o amor e felicidade inexplicável que um filho nos traz.