sexta-feira, 16 de abril de 2021

17 de abril de 2018

 Amanhã faz 3 anos que transferimos o embrião da Alice.

Fui reler o post que escrevi nesse dia. Incrível como consegui sentir tudo aquilo novamente. Revi exatamente o que estava a sentir, os passos que demos nesse dia, até onde o meu marido estava sentado quando trocamos aquelas palavras. Tudo tão presente. 

No entanto tudo mudou desde aí. A vida correu-nos bem. Crescemos imenso, evoluímos imenso. Éramos 2 e agora somos 3. 

Nestes dias estou a tentar clarificar tudo o que sinto em relação ao tratamento que se iniciará em breve. Já partilhei que por minha intensão não faria as tecs que faltam. Sinto-me plena com a minha filha e o meu marido. Vivo uma fase feliz na minha vida. E estou prestes a baralhar tudo voltando aos tratamentos. Faço-o por a Alice. E pelo meu marido também. Ele precisa que sejam feitas. E eu também... não quero ficar a pensar que o poderia ter feito e não fiz. 

Dou por mim a pensar muito à frente. Tenho perfeita noção que o meu caminho não foi fácil. Será muito mais provável que não resultem. Mas e se resultar? Serei eu capaz de amar alguém como amo a Alice? Eu, honestamente, penso que não. E nem deveria estar preocupada com isto. O mais provável é daqui a pouco tempo encerrar definitivamente este capítulo. E como me irei sentir depois? Hoje a opção de desistir seria minha, transferências feitas, não haverá mais opção. Será o destino mais uma vez a tomar a decisão certa. Confuso, não?

Uma coisa eu sei. Se não resultar o impacto emocional será completamente diferente. Se resultar nem sei. Também sei que raramente penso nisto. Mas daqui a alguns dias vou parar a pílula e a aventura irá começar. 

Amanhã é dia de festejar.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Já nem reconheço este blog

 Já nem reconheço o layout este blog. 

Vou ter que reaprender a publicar aqui, porque a infertilidade estará de volta à minha vida nos próximos meses.

Quem acompanha este blog sabe que ainda nos restam 2 embriões. Depois de muito ponderar, depois de averiguar o meu estado de saúde atual, vamos avançar com a transferência dos embriões.

Já estou a tomar o Gestacare pré-conceção e na próxima semana vou fazer as análises obrigatórias para iniciar o processo. Poderia estar a transferir ainda este mês, mas vou adiar uma semana ou duas. Maio será o mês. Como sabem eu faço Tec em ciclo natural, logo mal venha a menstruação tenho que agendar uma ecografia para 10/ 11 dias depois e aí a Dra. Catarina dará novas indicações. Neste momento estou a tomar a pílula. Está tudo calma por aqui. Assim o espero, porque comigo há sempre novidades. 

Hoje não sou a mesma pessoa que publicou aqui antes. Sou uma mulher feliz. Realizei o meu sonho da maternidade, tenho uma filha maravilhosa. Não poderia estar mais feliz e realizada com o meu projeto da maternidade. Mas eu não tenho irmãos. Não sei o maravilhoso que isso é. Mas tenho uma ideia... uma vez que não há nada que impeça, não posso não transferir os embriões que nos restam. Confesso que não alimento muita esperança que algum deles implante, mas tenho que tentar.

Por isso... I'm back! 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Situation point

 Ontem lá fomos ao IVI fazer um ponto da nossa situação.

Quem bom que foi rever a Dra. Catarina! Devo-lhe tanto... 

Os embriões continuam lá lindos e congelados, como seria de esperar. Estávamos um bocado apreensivos porque fizeram 3 anos em abril e supostamente deveríamos ter sido contactados para saber se pretendíamos prolongar a sua vitrificação ou decidir um outro destino para eles, e não fomos. A Dra. explicou que esse balanço é feito por uma entidade mais global, penso que em espanha, e que com a Covid está tudo atrasado. Certamente a conta será acertada depois, nada é de graça na infertilidade. 

Quanto ao anonimato dos dadores, outra questão que tínhamos, mantém-se tudo igual no nosso caso. Ou seja a lei do não anonimato dos dadores não teve efeitos retroactivos. As doações feitas anteriormente a maio de 2018 mantém as mesmas regras do anonimato. É o que faz mais sentido. A alteração à lei faz sentido, o que não faria qualquer sentido era ter efeitos retroativos. A Alice e um possível irmão só poderão saber quem fez a doação em caso de doença que o justifique. (Até me dói escrever estas palavras, porque espero mesmo que nunca seja necessário por esse motivo)

E pronto está tudo encaminhado. Fiz uma ecografia e está tudo em paz no meu aparelho reprodutor. Como estou a tomar a pílula isso seria de esperar. Já quando a parar é que será outra história. Vou fazer aquelas análises pre-concepcionais habituais e começar o gestacare quando quiser. Quando quiser fazer a transferência é só parar a pílula e marcar uma eco para 10 dias depois. Tudo tão familiar... assim como continua familiar a clínica, mesmo com as alterações covidárias. Em outubro a minha situação profissional irá se alterar (despedi-me para ter mais disponibilidade para a minha família e outros projectos pessoais... é verdade tornei-me a mulher que nunca me imaginei a tornar, mas a Ali é a minha prioridade e ser a última a sair do colégio estava a deixar-me doida, e não faria sentido pagar a uma empregada para fazer aquilo que eu posso, e quero, fazer). No final de outubro temos umas mini ferias agendadas, em portugal como tem que ser, e depois disso vou dedicar-me às tecs. 

Ainda tenho 2 meses para me mentalizar que vou embarcar nesta aventura novamente. Sei que não sou a mesma que era até ter a minha filha. Sinto-me muito mais forte emocionalmente. Já tenho o meu milagre, tudo que vier a mais será muito bem vindo. Mas se não vier, paciência. Vou tentar de tudo para que a Ali tenha um irmão para partilhar a vida, se isso não acontecer, não ficarei com essa mágoa.   


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

A (in)fertilidade e o casamento

 Hoje vou falar sobre um assunto fundamental para quem passa pela infertilidade.

Quem acompanha o meu blog desde o início deve ter percebido o amor e adoração que sinto pelo meu marido. É de tal forma grande que um filho que tivesse apenas os seus genes era suficiente para mim. Agora que existe a concretização desse desejo, posso afirmar que nada se alterou. A Ali não tem os meus genes, mas ver nela características do amor da minha vida, é suficiente para mim. Como já partilhei por aqui, não queria mais nenhum filho que não fosse a minha Ali. 

Mas a verdade é que o meu casamento ressentiu a infertilidade. E só apercebemos-nos disso quando a Ali nasceu. E a grande responsável por isso fui eu. Vivi tão absorvida nos tratamentos, na gravidez, que esqueci-me do meu marido. Do amor da minha vida. Passou a ser um figurante nesta história. Para mim era um dado adquirido, um acompanhante nesta minha luta por um filho. E ele acomodou-se a esse lugar. A nossa intimidade limitou-se ao companheirismo. E claro que isso foi mau. 

A juntar a essa falta de intimidade, junte-se um bebé e uns pais de primeira viagem que passaram por tanto para o ter. O NÓS ficou renegado para sei lá que plano. Quando nos apercebemos, felizmente a tempo, não foi de um dia para o outro que conseguimos recuperar o sentimento especial que nos une. Mas conseguimos. E hoje voltamos a ser imensamente felizes os dois. E agora os três que é ainda mais especial. 

Escrevo este post porque penso que muitas pessoas passam por este blog quando estão a iniciar a jornada da infertilidade e porque acho importante alertar para que não se esqueçam de cuidar da vossa relação. Eu, em momento algum, pensei que o meu marido duvidasse do amor que sinto por ele neste processo. Mas a verdade é que eu esqueci-me dele, e ele duvidou. Quando a Alice nasceu pensou que como já tinha o grande objetivo da minha vida já não precisava dele e afastou-se emocionalmente de mim. Afastou-se quando finalmente estava eu disposta a inclui-lo. Tudo errado portanto. 

Hoje estamos bem. Muito bem. Ele disposto a passar pelos tratamentos de novo. Eu também. Conscientes do que passou e dispostos a passar por tudo de maneira diferente. Já temos a nossa Ali e na verdade não temos muita esperança que as tecs resultem. Mas temos que as fazer para seguir a nossa vida. 


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Habemos data

17 de agosto...

Voltaremos ao IVI. Voltaremos a ter consulta com a nossa querida Dra. Catarina para fazermos um ponto da situação. Saber se poderemos utilizar os embriões restantes, saber como andam os meus ciclos. Estou a tomar a pílula, espero que os meus ovários açanhados estejam em calmaria. 

E eu como me sinto?
Sei lá como me sinto. Sinto-me plena, realizada e feliz com a Ali. Não preciso de mais nada. Mas penso que a Ali será mais feliz se tiver um irmão. O meu marido quer muito fazer as transferências. Está todo motivado. Eu irei fazê-las por ele e pela Ali. 

Não me imagino a passar por uma gravidez novamente. Foi muito complicada a nível emocional. Se por acaso, por milagre, alguma das transferências correr bem, tenho que gerir uma próxima gravidez de maneira diferente. Não posso viver em pânico 30 e tal semanas. Não o poderei fazer pela minha filha. O meu casamento ressentiu. 

Agora que me sinto bem, equilibrada emocionalmente, o meu casamento está a recuperar de toda a indiferência que lhe depositei durante os anos de tratamentos, e principalmente durante a gravidez, vou entrar neste mundo novamente... mas a ser, tem que ser agora. No final do ano faço 35 anos, o meu problema de saúde irá trazer-me limitações de saúde mais cedo ou mais tarde. Tem que ser já, e já é tarde. 

Uma coisa terei que trabalhar em mim Tenho que encarar os tratamentos de maneira diferente, pelo meu bem, e pelo bem da minha família. Não posso deixar que me afectem como me afectaram. Eu tenho uma filha. Ela é o mais importante, o que vier a mais, se vier, será muito bem vindo e seremos ainda mais felizes. 

quinta-feira, 16 de julho de 2020

A ganhar coragem

Agora que a pandemia está mais calma, ou melhor já aprendemos a (con)viver com ela, estou a ganhar coragem de ligar para a IVI. Ganhar coragem de abrir a caixa de pandora.

A Ali já tem 19 meses, está cada vez mais autónoma (para aquilo que é um bebé de 19 meses), e talvez esteja na hora do agora ou nunca. Saber em que estado está o anonimato dos dadores, e se tudo estiver nos conformes, realizar as duas últimas transferências. 

Como me sinto em relação a isso? Sinceramente a carga emocional será muito diferente. Se ficar com a Ali, o mais provável, fico feliz. Tranquila. A minha bebé é a luza da minha vida. Mas quero que corra bem. Gostaria muito que a Ali tivesse um irmão. Acho que seria mais feliz se tivesse um irmão. 

O meu percurso, como sabem, não foi dos mais fáceis, deixou marcas. Marcas essas que na maioria dos dias não me lembro. A recompensa é a mais maravilhosa de todas. Passava por tudo novamente para que pudesse ter a Ali comigo. A minha companheira, o amor maior da minha vida. Não sei se seria capaz de amar mais alguém como a amo a ela, mas estou disposta a arriscar. 

terça-feira, 19 de maio de 2020

I´m back

I´m back e quem sabe back a estas andanças que tanto marcaram a minha vida.

Que tempos loucos estes que estamos a viver. Antes de mais um beijinho muito grande para quem se encontra grávida nestes tempos malucos e incertos. 

No próximo mês vamos mudar de casa. Iupii, o meu pequeno T2 estava muito pequeno para 3 humanos e 2 patudos e por isso vamos mudar para um maior. Obviamente que a conversa da casa trouxe à baila o tema "O que fazer aos embriões que estão na IVI?". O meu marido sempre a puxar a conversa e eu sempre a desconversar. "Ah a Alice ainda não dorme a noite toda, ando exausta (mentira, não andava)". Pimbas a miúda já há 2 meses que tem um sono invejável. "Ah ainda é muito pequenina, precisa muito de mim ainda". É verdade, indiscutível, mas no meu caso é agora ou nunca. Para ser, tem que ser já. Não sei o que o futuro de reserva a nível de saúde e quanto mais cedo melhor, sendo que já é tarde. Obviamente que essa questão me preocupa, mas o que me leva a não querer fazer as tecs é o facto de achar que serei incapaz de amar alguém como amo a Alice. Ela é o meu TUDO. Não sei se todas as mães passam por isto, mas eu não sou capaz de imaginar ter que dividir a atenção que lhe dedico com mais alguém. Ela merece 100% de mim. 

Nunca pensei dizer isto, mas tenho muito mais medo que resultem do que não resultem. A probabilidade de resultar em gravidez é baixíssima, talvez por isso esteja quase convencida a arriscar. Mas e depois? Metem-me lá o embrião e não vou querer que resulte? Claro que não vai ser assim. Vou-me afeiçoar, vou querer dar um irmão à minha princesa, depois vai dar negativo e vou voltar àqueles lugares sombrios onde não tenho saudades nenhumas de estar. Além disso não fui uma apaixonada por andar grávida. Gostei da experiência, mas não estou ansiosa por repeti-la. Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas... Mas no meu coração gostava que a minha princesa tivesse um irmão. Eu não tenho, não posso dizer que me faz falta porque não conheço outra realidade, mas reconheço que a relação com um irmão é insubstituível. Ter-se-ião um ao outro para ultrapassar os obstáculos da vida. E só por isso, vamos deixar acalmar a pandemia, e vamos voltar à IVI. Conscientes que a probabilidade de resultar à baixíssima, e ambos de acordo que só iremos usar os 2 embriões que nos restam.