sábado, 8 de maio de 2021

7/5 - 2º Eco

 Havemos transferência marcada - 13 de maio.


Ontem o endometrio estava com 9! Uau que crescido! Não me lembro de o ter tão crescido há 3 anos atrás. Talvez seja o melhor número de sempre. 

Ontem já tomei o indutor da ovolução e amanhã à noite, dia 9,  começo o projeffik. 1 cápsula de manhã e outra à noite. Entretanto hoje já comecei o corticóide e a aspirina. E é este o meu cocktail. 

Agora que as coisas estão a tornar-se reais, começo a desejar que esta tec resulte. Sei que é pouco provável e continuo a morrer de medo de uma nova gravidez, de falhar com a minha Alice, enfim... mas se resultasse e ela tivesse uma irmão para partilhar a vida com ela seria bem bom. 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

5/5 - 1.ª eco

 Ontem lá fomos nós à IVI Lisboa para a primeira ecografia de controle. Pois que ainda temos o ciclo atrasado. Amanhã vou a Vigo fazer outra ecografia. Se tudo correr bem a transferência será na próxima semana, quinta ou sexta-feira. Vamos ver como se está a portar o endometrio amanhã... para já ainda não estou a tomar nenhuma medicação. 

Desta vez vou fazer a suplementação de progesterona com os ovos vaginais até à tec. Aí começo a intramuscular. Parece que agora existe uma subcutânea mas segundo a Dra. C. é muito mais cara. 

E eu como me sinto? Muitíssimo menos ansiosa que das outras vezes. Sem comparação! Como já disse estou numa fase da minha vida muito feliz. Ter um segundo filho seria um bónus muito interessante que a vida tinha para mim. Foi tão difícil ter a minha boneca, que seria no mínimo irónico resultar esta transferência. No fundo não estou preparada para nenhum dos cenários. Se não resultarem é o encerrar definitivo do capítulo filhos. E não sei como lidar com isso. Penso que será pacífico, estou feliz e realizada com a Alice. Depois da infertilidade, da gravidez, e dos primeiros tempos de um bebé que sabem ser tão complicados, finalmente estou a aproveitar a vida, a ser feliz. Se resultar também não me imagino ser capaz de ser mãe de dois, nem a passar por uma gravidez outra vez. 

Vamos ver o que a vida tem reservado para mim. 

terça-feira, 27 de abril de 2021

Here we go again

 É oficial. Já estamos no 4º dia do ciclo. 

Dia 5 de maio é dia de ecografia com a minha querida Dra. C. Isto é realmente muito diferente do que foi para a minha filha. Antes contava os dias, agora nem me lembro. Nesse dia estamos a regressar de umas mini-férias no Algarve. Nós, a Alice e os nossos cães. Vai tudo para a IVI. Estou a brincar, só posso ir eu, eles terão que ficar num parque qualquer, logo se vê.

Ainda agora passei pelo fórum de mãe para mãe e vi meninas com medo da pré-eclampsia, e depois fiquei em pânico. A minha filha nasceu com 37s porque estava com alto risco de pré-eclampsia. As minhas tensões têm uma tendência enorme para estarem altas. E se engravidar?! E se desta vez tenho um quadro grave disso e corre mal para o meu lado. A minha filha não pode ficar sem mim. Já viram as coisas que eu penso?! Quero que isto afete o mínimo possível a minha bebé (que já não é tão bebé assim). Agora que existe a possibilidade de uma nova gravidez digo com toda a justiça, que não gostei de andar grávida. Passava muito bem à frente essa parte. Podiam dar-me um bebé já nascido para eu cuidar que por mim estava ótimo. Mas não dão. Mas depois dou por mim a pensar nos nomes que daria a um hipotético filho... Com a Alice estava tudo pensado na minha cabeça à anos. Se fosse menina era Vitória (e acabou Alice), se fosse menino Miguel. Mas e agora? Se por algum acaso correr bem não faço a mínima ideia, porque nunca imaginei que tivesse mais que um filho. 

E nisso que tenho que pensar. Não vai resultar. Mas vamos tentar. 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

17 de abril de 2018

 Amanhã faz 3 anos que transferimos o embrião da Alice.

Fui reler o post que escrevi nesse dia. Incrível como consegui sentir tudo aquilo novamente. Revi exatamente o que estava a sentir, os passos que demos nesse dia, até onde o meu marido estava sentado quando trocamos aquelas palavras. Tudo tão presente. 

No entanto tudo mudou desde aí. A vida correu-nos bem. Crescemos imenso, evoluímos imenso. Éramos 2 e agora somos 3. 

Nestes dias estou a tentar clarificar tudo o que sinto em relação ao tratamento que se iniciará em breve. Já partilhei que por minha intensão não faria as tecs que faltam. Sinto-me plena com a minha filha e o meu marido. Vivo uma fase feliz na minha vida. E estou prestes a baralhar tudo voltando aos tratamentos. Faço-o por a Alice. E pelo meu marido também. Ele precisa que sejam feitas. E eu também... não quero ficar a pensar que o poderia ter feito e não fiz. 

Dou por mim a pensar muito à frente. Tenho perfeita noção que o meu caminho não foi fácil. Será muito mais provável que não resultem. Mas e se resultar? Serei eu capaz de amar alguém como amo a Alice? Eu, honestamente, penso que não. E nem deveria estar preocupada com isto. O mais provável é daqui a pouco tempo encerrar definitivamente este capítulo. E como me irei sentir depois? Hoje a opção de desistir seria minha, transferências feitas, não haverá mais opção. Será o destino mais uma vez a tomar a decisão certa. Confuso, não?

Uma coisa eu sei. Se não resultar o impacto emocional será completamente diferente. Se resultar nem sei. Também sei que raramente penso nisto. Mas daqui a alguns dias vou parar a pílula e a aventura irá começar. 

Amanhã é dia de festejar.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Já nem reconheço este blog

 Já nem reconheço o layout este blog. 

Vou ter que reaprender a publicar aqui, porque a infertilidade estará de volta à minha vida nos próximos meses.

Quem acompanha este blog sabe que ainda nos restam 2 embriões. Depois de muito ponderar, depois de averiguar o meu estado de saúde atual, vamos avançar com a transferência dos embriões.

Já estou a tomar o Gestacare pré-conceção e na próxima semana vou fazer as análises obrigatórias para iniciar o processo. Poderia estar a transferir ainda este mês, mas vou adiar uma semana ou duas. Maio será o mês. Como sabem eu faço Tec em ciclo natural, logo mal venha a menstruação tenho que agendar uma ecografia para 10/ 11 dias depois e aí a Dra. Catarina dará novas indicações. Neste momento estou a tomar a pílula. Está tudo calma por aqui. Assim o espero, porque comigo há sempre novidades. 

Hoje não sou a mesma pessoa que publicou aqui antes. Sou uma mulher feliz. Realizei o meu sonho da maternidade, tenho uma filha maravilhosa. Não poderia estar mais feliz e realizada com o meu projeto da maternidade. Mas eu não tenho irmãos. Não sei o maravilhoso que isso é. Mas tenho uma ideia... uma vez que não há nada que impeça, não posso não transferir os embriões que nos restam. Confesso que não alimento muita esperança que algum deles implante, mas tenho que tentar.

Por isso... I'm back! 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Situation point

 Ontem lá fomos ao IVI fazer um ponto da nossa situação.

Quem bom que foi rever a Dra. Catarina! Devo-lhe tanto... 

Os embriões continuam lá lindos e congelados, como seria de esperar. Estávamos um bocado apreensivos porque fizeram 3 anos em abril e supostamente deveríamos ter sido contactados para saber se pretendíamos prolongar a sua vitrificação ou decidir um outro destino para eles, e não fomos. A Dra. explicou que esse balanço é feito por uma entidade mais global, penso que em espanha, e que com a Covid está tudo atrasado. Certamente a conta será acertada depois, nada é de graça na infertilidade. 

Quanto ao anonimato dos dadores, outra questão que tínhamos, mantém-se tudo igual no nosso caso. Ou seja a lei do não anonimato dos dadores não teve efeitos retroactivos. As doações feitas anteriormente a maio de 2018 mantém as mesmas regras do anonimato. É o que faz mais sentido. A alteração à lei faz sentido, o que não faria qualquer sentido era ter efeitos retroativos. A Alice e um possível irmão só poderão saber quem fez a doação em caso de doença que o justifique. (Até me dói escrever estas palavras, porque espero mesmo que nunca seja necessário por esse motivo)

E pronto está tudo encaminhado. Fiz uma ecografia e está tudo em paz no meu aparelho reprodutor. Como estou a tomar a pílula isso seria de esperar. Já quando a parar é que será outra história. Vou fazer aquelas análises pre-concepcionais habituais e começar o gestacare quando quiser. Quando quiser fazer a transferência é só parar a pílula e marcar uma eco para 10 dias depois. Tudo tão familiar... assim como continua familiar a clínica, mesmo com as alterações covidárias. Em outubro a minha situação profissional irá se alterar (despedi-me para ter mais disponibilidade para a minha família e outros projectos pessoais... é verdade tornei-me a mulher que nunca me imaginei a tornar, mas a Ali é a minha prioridade e ser a última a sair do colégio estava a deixar-me doida, e não faria sentido pagar a uma empregada para fazer aquilo que eu posso, e quero, fazer). No final de outubro temos umas mini ferias agendadas, em portugal como tem que ser, e depois disso vou dedicar-me às tecs. 

Ainda tenho 2 meses para me mentalizar que vou embarcar nesta aventura novamente. Sei que não sou a mesma que era até ter a minha filha. Sinto-me muito mais forte emocionalmente. Já tenho o meu milagre, tudo que vier a mais será muito bem vindo. Mas se não vier, paciência. Vou tentar de tudo para que a Ali tenha um irmão para partilhar a vida, se isso não acontecer, não ficarei com essa mágoa.   


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

A (in)fertilidade e o casamento

 Hoje vou falar sobre um assunto fundamental para quem passa pela infertilidade.

Quem acompanha o meu blog desde o início deve ter percebido o amor e adoração que sinto pelo meu marido. É de tal forma grande que um filho que tivesse apenas os seus genes era suficiente para mim. Agora que existe a concretização desse desejo, posso afirmar que nada se alterou. A Ali não tem os meus genes, mas ver nela características do amor da minha vida, é suficiente para mim. Como já partilhei por aqui, não queria mais nenhum filho que não fosse a minha Ali. 

Mas a verdade é que o meu casamento ressentiu a infertilidade. E só apercebemos-nos disso quando a Ali nasceu. E a grande responsável por isso fui eu. Vivi tão absorvida nos tratamentos, na gravidez, que esqueci-me do meu marido. Do amor da minha vida. Passou a ser um figurante nesta história. Para mim era um dado adquirido, um acompanhante nesta minha luta por um filho. E ele acomodou-se a esse lugar. A nossa intimidade limitou-se ao companheirismo. E claro que isso foi mau. 

A juntar a essa falta de intimidade, junte-se um bebé e uns pais de primeira viagem que passaram por tanto para o ter. O NÓS ficou renegado para sei lá que plano. Quando nos apercebemos, felizmente a tempo, não foi de um dia para o outro que conseguimos recuperar o sentimento especial que nos une. Mas conseguimos. E hoje voltamos a ser imensamente felizes os dois. E agora os três que é ainda mais especial. 

Escrevo este post porque penso que muitas pessoas passam por este blog quando estão a iniciar a jornada da infertilidade e porque acho importante alertar para que não se esqueçam de cuidar da vossa relação. Eu, em momento algum, pensei que o meu marido duvidasse do amor que sinto por ele neste processo. Mas a verdade é que eu esqueci-me dele, e ele duvidou. Quando a Alice nasceu pensou que como já tinha o grande objetivo da minha vida já não precisava dele e afastou-se emocionalmente de mim. Afastou-se quando finalmente estava eu disposta a inclui-lo. Tudo errado portanto. 

Hoje estamos bem. Muito bem. Ele disposto a passar pelos tratamentos de novo. Eu também. Conscientes do que passou e dispostos a passar por tudo de maneira diferente. Já temos a nossa Ali e na verdade não temos muita esperança que as tecs resultem. Mas temos que as fazer para seguir a nossa vida.