sexta-feira, 16 de junho de 2017

Transferir 1 ou 2?

A minha querida Mia perguntou-me se tinha transferido 1 ou 2 embriões e eu já lhe respondi ao comentário, mas de qualquer maneira resolvi fazer este post sobre isso também.

Tal como na primeira TEC, transferi apenas 1. Não é que a gravidez gemelar me assuste mais que uma gravidez normal, embora reconheça que os risos são mais elevados. Mas eu até gostava de ter gémeos. Enchem uma casa e uma família. Mas a resposta porque não transferi 2 é simples: não confio no meu endometrio. Se desta vez não correr bem, podemos sempre mudar alguma cosia na próxima para otimizar o processo. Ou então não... mas pelo menos não fico a pensa que lá se foram 2 embriões. 

A Dra. C. aconselhou-nos, categoricamente, a transferir só 1 por dois motivos:
- o risco elevado de gravidez gemelar (e aí eu ri-me imenso internamente, nem 1 quanto mais 2! tinha piada)
- transferindo 2, a probabilidade de implantar pelos menos 1 é apenas ligeiramente superior à de transferir só 1. Além disso é praticamente igual a fazer duas transferências independentes (sendo neste caso superior), e caso dê negativo podemos transferir no ciclo seguinte. Isto das probabilidades vale o que vale como é óbvio.

Gostava mesmo muito de tão cedo não fazer mais nenhum TEC. Queria mesmo muito acreditar que vai ser desta, mas o medo paralisante está novamente de volta. Grande parte do tempo esqueço-me do que possa estar a acontecer no meu incompetente endometrio, mas quando me lembro fico cheia de medo de voltar a passar pelo mesmo, Mr. Red dar as caras no D7, ou desta vez no D8. Gostava de pelo menos chegar ao dia da análise... Quanto a sintomas, digamos que de vez em quando sinto umas ligeiras moinhas no útero, acentuada vontade de fazer xixi (que se deve à maior quantidade de água que bebo) e a tensão mamária tão característica da progesterona. Ou seja, nada de novo. 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

2ª TEC - transferência feita

Antes de mais gostaria de agradecer a todas as meninas que pensaram em mim ontem e hoje e me mandaram energia positiva. Muito obrigada mesmo... vocês "aliviam" esta caminhada por vezes tão difícil e dura.

Esta transferência correu bem melhor que as anteriores. Primeiro porque não se perdeu nenhum embrião na descongelação (iupiii), ainda ficaram 5 embriões na IVI, e parecendo que não isso é muita coisa. Segundo, porque vai-se aprendendo com a experiência. Deste vez controlei muito melhor a minha bexiga, não estava tão cheia mas estava cheia o suficiente e eu indiscutivelmente mais sossegada e relaxada. Já aqui disse que não acho as transferências nada agradáveis, mas esta não me custou grande coisa confesso. Após a transferência feita consegui ficar deitada 30min a relaxar e a receber miminho do meu marido. Tão bom!

Estava tudo a correr espetacular até adquirirmos a progesterona intramuscular para os próximos dias e o meu marido aperceber-se que cada ampola tinha o dobro da dose daquela que andava a administrar e aí o meu estado zen passou a pânico. As ampolas que estávamos a administrar adquirimos na IVI de Vigo. Claro que o homem, que não se assusta com pouco, lá foi-se informar com a enfeimeira que lhe disse que não tinha mal nenhum. Em Espanha continuam a usar progesterona com fabrico próprio porque é permitido, em Portugal tinham eles que adquirira a corrente que é uma dose superior, mas a dosagem espanhola chega perfeitamente. De qualquer maneira a partir de hoje estou a usar a portuguesa que a pica custa muito, mas muito menos a administrar. 

A restante tarde foi passada com quarto do hotel a ver House of Cards e no final do dia fomos jantar a um restaurante espetacular no Parque das Nações. Foi a melhor comemoração possível dos 3 anos de casamento. Neste momento, acho que a grande maioria do tempo me esqueço que fiz uma transferência há algumas horas. Hoje é um dia de celebração. Conseguimos fazer uma transferência e pela aniversário de casamento. Amanhã já não sei se o medo tomará conta de mim. 

Diria que dia 26 saberemos o resultado, mas dado que comigo não funciona assim... aguardemos o maldigo Red chegar, ou um resultado positivo na análise. (Será que eu também terei direito a esperar pelo Beta para saber o resultado? Ou melhor ainda que também terei direito a um resultado positivo? Por vezes tenho tantas dúvidas disso...)

terça-feira, 13 de junho de 2017

State on mind

Seja positiva, paciente e persistente! Sempre! :)

A espera por esta TEC tem sido bem mais calma que a anterior. Não sei se será do habito, se será da ausência de hemorragias de escape ao longo do ciclo, se será do bom tempo, de que será. Mas sei que, só agora começou a "bater aquela ansiedade". Também no trabalho foi mais pacífico. Não foi propriamente pacífico por ser uma altura crítica de férias, mas a minha prioridade é este tratamento, a partir daí tudo o resto paciência. Amanhã não vou trabalhar. Vamos de manhã cedo para Lisboa e ficamos lá para quinta feira. Sem stress... Sexta volto ao trabalho e sábado vamos passar o fim de semana fora para festejar o aniversário de casamento. Já estava marcado à muito tempo. Tentamos não viver demasiado em função dos tratamentos, mas às vezes (quase sempre) somos apanhados pelo caminho. Irei ter uma vida mais calma que na TEC anterior, mas como podem ver sem grande repouso. Acho mesmo que não é por estar imóvel na cama ou no sofá que o desfecho desta TEC será positivo. Quando se tem que fazer 350km de regresso a casa, pensamos logo que o repouso absoluto na cama não será para nós de certeza. No fundo, acho que só nesta TEC, com a questão do dia que é realizada a transferência corrigido, só agora parto com os tais 55/60% de probabilidade de correr bem. Só agora estou em pé de igualdade com as restantes mulheres.

Gostava de ter a certeza que o meu endometrio reúne as condições ideias para a implantação, gostava que fosse daquelas que na última eco está a 10mm. Mas não é... que posso eu fazer? Posso tentar manter-me positiva e acreditar que amanhã será um bom dia. Não é todos os dias que festejamos o dia mais feliz das nossas vidas. Já são 3 anos... e cada dia mais cúmplices e mais apaixonados. Mesmo com esta treta da infertilidade, e dos genes, e das porcarias todas que a vida nos tem presenteado, o meu maior presente é o meu amor querido. Por isso amanhã será um dia feliz.

Só espero que não se perca nenhum embrião na descongelação.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Tec agendada

O plano das festas será: pregnyl amanhã às 21h e dia 10  à noite progesterona intramuscular. Desta vez, ao contrário de no ciclo do ERA e da TEC anterior, irei fazer apenas 4 dias de progesterona. A transferência será no dia 14 ao início da tarde... MEDO!! Não quero dar demasiada importância a datas, mas transferir 1 ano depois de iniciar o primeira tratamento e no dia do nosso aniversário de casamento, pode ser um bom presságio. Se não for só me restará aceitar e ser resiliente.

Vamos ver no que isto vai dar... pelo que vou lendo por aqui o meu endometrio é bastante manhoso. Nunca irá passar disto. Mas desta vez vou tentar manter-me positiva... pode ser que seja desta. Nunca se sabe.

2ª TEC - 2ª Eco

Se contar a alguém que antes de entrar no trabalho (o meu horário de entrada é às 10h), já fui e vim a Vigo (ainda bem que lá é +1h, facilita em tudo este processo) fazer uma ecografia, acho que a maioria dos meus colegas não acreditava. Pelo caminho reflecti que há vidas mesmo fáceis... e depois há a minha. 

A médica foi muito atenciosa, já tinha informação que iríamos lá e estava a par de tudo. A clínica não tem aquele aparato todo que a IVI Lisboa, mas é incrível como até a imagem da clínica é semelhante. Mas vamos ao que realmente interessa. Hoje tínhamos o endométrio a 6,7 e o folículo dominante a 16 e outro a 14. Ambos no ovário esquerdo. O mesmo que ovulou o ciclo passado... parece-me que as ovulações alternadas são mais na teoria que na prática. Mas isto como são ciclos sempre alterados, nem que seja pelo Pregnyl, pode ser por isso. Quanto ao meu querido endometrio,  não é lá grande coisa, mas está a crescer. Nunca terei aqueles endometrios fantásticos e maravilhosos de 10, mas talvez ainda chegue aos 7 neste ciclo. A informação já seguiu para a Dra. C. que não estará na clínica hoje e amanhã, mas pediu para mandar-lhe a informação por mail que depois entrará em contacto comigo para dar indicações. E assim me encontro... há espera que a Dra. C. diga alguma coisa... se é para esperar mais dias, se é para cancelar. A previsão da Dra. era a TEC ser no dia 14 (dia do meu aniversário de casamento!!) mas se atrasar um dia passará para dia 15 que é feriado... não me parece que façam transferências aos feriados. Enfim... só me resta aguardar. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Cenas de mulheres inférteis III

Desta vez vamos falar de "cenas" práticas, como quanto custa fazer um filho recorrendo a técnicas de PMA.

Por um lado temos os hospitais públicos. Têm excelentes profissionais, médicos competentes e experientes, mas certamente com algumas restrições orçamentais e de agenda. Certamente que não fazem mais pelos doentes porque não podem. Obviamente que haverá excepções e que falo sem conhecimento de causa porque nunca passei por lá. Como contribuintes que somos, e vivendo num Estado Social como vivemos, temos todos direito de recorrer aos centros públicos de PMA. No nosso caso não recorremos por dois motivos: a falta de privacidade e, mais importante que isso, o tempo de espera por um tratamento. Está praticamente a fazer 1 ano desde que iniciamos o primeiro tratamento, continuamos sem filho, mas já passamos por tanto... percorremos um longo caminho. Num hospital público, além de ainda estar à espera do primeiro tratamento, nunca teríamos um filho. Esta seria a realidade. Não sei se mesmo com todos os recursos e técnicas evoluídas como a ovodoação teremos um final diferente, mas, felizmente, pudemos contornar a situação. No Hospital Público, nomeadamente o Hospital de São João que é o único onde se realiza DGPI em Portugal, seriam precisas as duas tentativas de DGPI para descobrir os meus problemas na fase lutea curta e não teríamos direito a mais nenhum tratamento. Essa é a triste realidade. Agradeço todos os dias ter recursos financeiros para percorrer este caminho de forma diferente. 

Por outro lado temos as clínicas privadas, com atendimento muito mais personalizado, confidencial, sem tempos de espera, mas onde tudo é pago a preço de ouro. Sinceramente já perdi a conta ao dinheiro que já investimos para ter um filho. Não me arrependo de nenhum cêntimo gasto, mas é inevitável não fazer as contas. E eu até sou muito má com contas. Depois desta TEC (aconteça ela quando acontecer) andará muito próximo dos 10000€ só na IVI, nem sei quanto já gastamos no Porto. Nunca irei pensar que não valeu a pena o investimento, mesmo que nunca venha a ser mãe. Se esse for o triste desígnio ficaremos de consciência tranquila que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Constatação

E agora ao final do dia... depois de me aperceber que um endometrio de 4,5 nunca irá se pôr jeitoso para a transferência, volto a perceber que está coisa da gravidez nunca será para mim. E é uma pena porque eu acho que até teria jeito... o meu cão será o único alvo do meu afecto maternal para o resto da vida. É triste mas talvez seja a realidade. Cada vez sinto mais vontade de desistir de tudo isto... secalhar não sou tão forte como pensei que era. Talvez deva começar a pensar em dar outro sentido à minha vida...