quarta-feira, 30 de março de 2022

De volta

Ou pelo menos dar notícias. Não sei se faz sentido continuar este blog, se ainda existe espaço para blogues nos dias de hoje, mas sempre escrevi com o intuito de desabafar e sou muito grata pelas pessoas que este blog me trouxe, naquela que foi a fase mais difícil da minha vida. 

Estou grávida de 31 semanas e uns dias. É um menino. É curioso a reação das pessoas há novidade (que já não é tão novidade assim), pois parece que nos saiu o Euromilhões, o “casalinho”. E de facto saiu. O que acho curioso é que parece que foi tudo fácil até chegar aqui. E não foi. Vocês sabem o longo caminho que percorremos até chegar aqui… 

Confesso que a carga emocional desta vez foi muito diferente. Nunca escondi que estava plenamente realizada com a minha filha e morria de medo de uma nova gravidez. Na realidade são esses receios que têm prevalecido nesta gravidez. Como a A. irá reagir ao irmão, com nós iremos adaptar à nova logística de ter 2 filhos, e por aí… no fundo receios que todas as famílias têm. Tudo tão “normal” que nem me lembro dos tratamentos que nos conduziram a este segundo filho. Não parece a minha história… foi demasiado idílico, o último embrião implantou!!! Caramba… será que foi o destino a “compensar-me” tudo que passei até ter a minha filha?! 


Na realidade esta gravidez está a ser um enorme desafio. Às 10s tive um pequeno sangramento que se deveu a um ligeiro descolamento do saco gestacional que me obrigou a repouso durante 2 semanas. A partir daí o slow Living tem sido a minha forma de estar na vida. Desde essa altura que tive que ter muito mais apoio da minha mãe para cuidar da minha filha e dos meus cães. É só Deus sabe como me custou delegar isso. Depois na eco morfológica das 21s foi detetado líquido amniotico no limite superior. Nunca esteve fora do intervalo considerado normal mas obrigou a uma vigilância mais rigorosa. Felizmente nunca houve suspeita de qualquer problema com o bebé, mas a dúvida ficou lá. Com o desenvolver da gravidez a quantidade de líquido manteve-se, embora no limite superior não passou disso mesmo, logo provavelmente deve-se ao facto do bebé ser grande. 

O meu historial de hipertensão no final da gravidez, um bebé grande, muito líquido, estou grávida de 31s e tenho barriga de final de tempo. Logo o risco de parto prematuro é bastante elevado. Barriga grande é sinónimo de desconfortos que desconhecia. Azia, dores nas costas… nada que senti na gravidez da A. Neste momento já me sinto muito limitada fisicamente e estou cansada de limitações. Basicamente espero ansiosamente que chegue maio e este bebé esteja pronto para nascer. A gravidez não tem piada absolutamente nenhuma. Na sexta é dia de consulta é só espero que esteja tudo bem com o meu baby é que ele se aguente mais umas semanas cá dentro. 

A A. continua a ser a luz da minha vida. A minha menina milagre. Se soubessem como é maravilhoso te-la na minha vida… não há um único dia que não agradeça essa dádiva que a vida me deu. 


terça-feira, 26 de outubro de 2021

Eco 7s e 7d

 Na sexta-feira, dia 22, tive consulta com a minha obstetra. 

Foi muito especial ouvir o coração do embrião. Já não me lembrava como podia ser especial. Até aquele dia estava tudo a desenvolver dentro da normalidade, a idade gestacional era de 8s e 1d. 

A minha tensão arterial estava alta na consulta, a médica até me receitou medicação para baixar. Mas tenho medido em casa e estão boas. Eu tenho mesmo um problema com a medição... se soubessem como sofro sempre que tenho que medir as tensões. Depois da gravidez da Alice, por causa da pre-eclampsia, este medo virou pânico. Mas se medir em casa, sem stress, estão normais. Tenho consulta na próxima semana, às 9s e 7d, e vou voltar a falar com a médica sobre se deve mesmo começar a medicação... a medicação é segura, mas se não tiver realmente hipertensão e me baixar a tensão em demasia também não será bom. Mais para a frente deverá ser inevitável fazer a medicação. 

Estamos numa semana muito crítica para mim. Foi por esta altura que na minha primeira gravidez o embrião parou de evoluir. Vivo num medo constante. Odeio isto. De facto um aborto supera-se mas fica uma ferida que nestas alturas volta a sangrar. Não vejo a hora de passar o primeiro trimestre e ainda falta uma eternidade. Na gravidez da Alice ainda havia o fator novidade do que iria acontecer a seguir para dar alento, desta só quero mesmo que o tempo passe. Quer seja para bem ou para o mal, quero que passe. 

Gostava de ser daquelas mulheres que adoram estar grávidas. Adoram as alterações que o corpo passa. Mas não sou. Sinto que perco a identidade. Não posso vestir o que quero, mas aquilo que me serve. Hoje vesti pela primeira vez uns jeans de grávida. Só vesti porque já os tinha, caso contrário não teria comprado nada ainda. E detesto sentir um cansaço enorme ao final do dia... às vezes adormeço quando estou com a Alice e quando estou sozinha com ela é complicado aguentar a energia de uma miúda de quase 3 anos. Isso a fome que tenho... só me apetece comer humburgeres. A continuar assim vou ficar uma bola! E não quero... É que a fome não é uma fome normal, é incontrolável. Lá está, não tenho controlo nenhum sobre o meu corpo. 

Embora tudo isto, o medo gigante que tenho que corra bem e não saiba encaixar um bebé recém-nascido na minha vida, o medo de falhar com a minha filha, quero muito que ela tenha este irmão/irmã. Acredito que a vida dela vá ser mais feliz com essa companhia. Eu sei que desta vez sei gerir melhor a ansiedade, já não tenho TUDO a perder, porque já tenho TUDO, mas caramba... não quero que aconteça nada de mal a este embrião que já faz parte de mim. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Desabafos

Isto vai parecer um post um bocado tonto mas estou a precisar de escrever o que me vai na alma, e este blog sempre foi uma espécie de terapia para mim. 


Estamos de 6s e 6d e sinto que o tempo não passa. A gravidez é uma autêntica maratona. Já partilhei aqui que não gostei particularmente de andar grávida e não é por o estar novamente que passei a gostar. Não gosto que a minha roupa já não me sirva, não gosto que tenha que ser muito criativa para esconder a barriga que desta vez fez-se notar ainda nem o beta tinha feito, e desta vez não gosto de viver enjoada e exausta. Mas acima de tudo não gosto da pessoa ansiosa que me torno quando estou grávida. Acreditem ou não, sempre que vou à casa de banho tenho medo de ver sangue. TODAS as vezes. isto é cansativo. Vivo com medo. Medo que me aconteça alguma coisa, medo de perder este bebé e medo de falhar com a Alice. E como já tenho falhado... sinto-me EXAUSTA ao final do dia. Logo a paciência com ela já não é a mesma. As idas ao parque também se tornaram menos frequentes porque ir sozinha com ela é difícil.  Ainda estamos na fase crítica e a minha boneca já começa a sentir o "peso" de ter um irmão. Eu esforço-me para contrariar isto, mas estou tão cansada e enjoada que não é fácil. E sinto-me tão mal por isso. Dizem que um irmão é o maior presente que lhe posso dar e agarro-me a isso, porque eu sinceramente tenho tantas dúvidas. Lembro-me muitas vezes do porquê de não querer fazer as transferências e ter mais medo que resultasse do que do contrário. E quando me lembro do pós-parto e da privação do sono? Até tenho medo desses pensamentos. Lembro-me muitas vezes de pensar, quando a Alice era recém-nascida, onde os outros pais conseguiam encaixar outra criança com um recém-nascido. Eu não sei como irei conseguir! Mas isso preocupa-me. Quero que a Alice sinta as mudanças o menor possível. Ela é a minha prioridade. 


Não pensem que com isto estou a ser mal agradecida. Embora pareça. Continuo muito feliz que a tec tenha resultado e espero mesmo que corra bem. Disse que estou ansiosa, e embora seja verdade, não estou na dimensão da gravidez da Alice. Aí tinha um sonho por cumprir. Esse sonho está cumprido. Um novo bebé será uma dádiva maravilhosa da vida que, sinceramente, já não estava à espera de receber. Daí estar mais tranquila e disposta a aceitar o que a vida tem destinado para mim. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

1.ª eco - 5s + 5d

 Ontem, dia 6, fomos à IVI fazer a eco de confirmação da gravidez. Está tudo bem. Mais que bem. O saco é normal e já se vê o embrião e o coração a piscar. Mais do que é suposto para esta idade gestacional. 


Que alívio! Já não me lembrava de estar nervosa na clínica… sempre estive muito calma e serena desde que começamos esta jornada por um 2.o filho. Confesso que a transferência que fiz em maio achava que ir resultar e não queria que resultasse, ou era-me indiferente. Burra que eu fui. Está queria que corresse bem, mas acabava que não ia correr. Foi uma surpresa maravilhosa. 


A nossa jornada na IVI terminou ontem. É que nostalgia eu sinto… tantas emoções… desilusões e esperança vivi ali. Sou profundamente grata à Dra. Catarina Godinho. Já era, mas agora ainda sou mais. 


Obviamente que esta gravidez está apenas no início, morro de medo que algo corra mal. Comigo e com o embrião. Mas tento aceitar o que a vida tem reservado para mim. Se me quiser presentear com mais um filho, serei eternamente grata por isso, se entender que será melhor a Alice ser filha única, ao me restará aceitar. 


Continuo a achar que não serei capaz de amar outro ser como amo a Alice e morro de medo de lhe falhar. Esta gravidez começou logo cheia de sintomas, são só quase 6s mas já não consigo vestir nenhuma das minhas calças de ganga (!!!) e sinto um cansaço extremo ao final do dia (tal como na gravidez da Alice). Mas agora existe a minha boneca, e tenho que continuar a ser a mãe que ela merece que seja, mesmo estando super cansada e a paciência não seja a mesma. E la estou eu a falhar com ela… e esse peso persegue-me. Durante muito tempo acreditei que não teria a sorte duas vezes. E na verdade ainda nem sei se este embrião vai evoluir. Mas sinto que sim. Sinto que vai correr bem e tenho imensa curiosidade de saber se é menino ou menina. 


Mas depois obrigo-me a manter os pés bem assentes na terra. Muita coisa pode ainda acontecer e tenho que estar preparada para tudo. 


A próxima ecografia é dia 22, às 8s e já será com a obstetra que acompanhou a minha gravidez. Troçam por mim, por nós! 

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

D12 - beta HCG

 987 é o nosso número da sorte! 

É um bom número. Sei bem que não quer dizer nada. A gravidez que correu bem, a minha Alice, começou com um beta bem mais tímido. Mas antes assim. 

Vocês não estão a imaginar o que a minha barriga cresceu. Se me contassem eu não acreditava. Acho que da gravidez da Alice tinha uma barriga assim para aí às 12 semanas. Parece que o útero reconheceu imediatamente a ocupação, e ganhou logo forma. É natural que haja algum inchaço associado, mas não é só isso… 

Estou cheia de medo, sinto que já falhei com a Alice quando ontem quis o meu colo (ainda era uma distância considerável, ela estava com muito soninho) e teve que ir no colo do pai. O colo do pai é maravilhoso, mas ela queria o meu. E o meu coração partiu-se. Muito terei que lidar, caso esta gravidez corra bem. Mas eu quero muito que corra bem. Estou a curtir este início como não desfrutei na última vez. Estou a adorar é muito mais serena desta vez. Quando penso na privação de sono e mas alterações que o meu corpo vai sofrer não fico propriamente ansiosa que isso chegue, mas estou a adorar estar grávida. Não contava que fosse ser assim. 


Ainda não sei quando a Dra. C. quer marcar a ecografia, mas estou super ansiosa por esse dia. 

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

D8 - teste gravidez positivo

 Acabo de ficar sem palavras. Estou grávida. Não sei por quanto tempo, mas neste momento estou grávida. E em pânico.

Desta vez já suspeitava. Já estive grávida antes, já conheço o meu corpo e alguns sinais. Sentia-me estranha, muito sensorial, e eu não sou assim. As duas linhas do teste apareceram em simultâneo. 

Já ando nisto há demasiado tempo para saber que isto é apenas o primeiro passo. Ainda falta imenso até este embrião se transformar em um bebé. Estou em pânico de não saber lidar com isto como deve ser. Desta vez o meu maior medo não é a perda gestacional, perdoo-me este embrião querido, o meu maior medo é que me aconteça alguma coisa. Por causa da Alice. Ela precisa de mim. Não me pode acontecer nada... eu tive pré-eclâmpsia na gravidez dela... mais um fantasma para me atormentar.

Fiz o teste sozinha. Eu sabia que estava grávida. Podia ter feito uma surpresa ao meu marido, mas apenas liguei-lhe a contar pois não aguentava guardar isto só para mim. De todos os testes positivos que tive, desta vez foi quando o senti mais emocionado. Não carregamos o desgaste emocional que trazíamos quando engravidei da Alice. 

Hoje estou feliz. O meu marido está muito feliz, eu sabia que ele gostava muito que isto corressem bem. Ele tem um irmão e uma irmã, e sei o que significam na vida dele. Gostava que a Alice também tivesse a experiência. E também foi por isso que fiz as transferências. Mas agora estou bastante preocupada em passar por uma nova gravidez... a da Alice correu bem, mas não foi fácil emocionalmente (e fisicamente também). E agora existe a minha princesa. Eu não posso falhar-lhe em nada. Ela é tudo para mim. 


Tanta coisa pode correr mal a partir de hoje. Agora o próximo passo será o exame de sangue na próxima segunda-feira. Step by step. 

Enfim... perdão pelo testamento. Estou em pânico. Mas estou feliz.  

D7

O D7 já passou e amanhã será o D8. Parece incrível como chegamos até aqui. Não posso dizer que chegou a menstruação, porque não chegou. 

Existem pequenas perdas de sangue. Podem ser do colo do útero como não ser. Não sei. Sei que por vezes sinto cólicas menstruais como se estivesse no início da menstruação. Mas depois passa e ela não vem. 

Nesta transferência, a última, sinto-me mais normal. Não teve nada a ver como a última. Óbvio que não quer dizer que irá resultar. Parece que a progesterona que estou a tomar, Duphaston, conseguiu atrasar o meu ciclo. Amanhã será o 28.º dia do ciclo e já não me lembrava de ter um ciclo tão longo, tão normal. 

Amanhã talvez faça um teste. Hoje não tive coragem. Vai dar negativo e eu terei que continuar a medicação é isso é tramado.

É inevitável não pensar no que fazer a seguir… a realidade é que temos uma vida muito feliz. Talvez fosse ainda mais feliz com outro filho, embora eu continue a achar que seria incapaz de amar alguém igual a como amo a Alice. Mas estamos bem. Em princípio ficaremos mesmo por aqui. Está a chegar ao fim a minha jornada pela (in)fertilidade.