A vida a seguir a uma perda gestacional (não gosto da palavra aborto) pode ser bem confusa... e dolorosa também, confesso. Mas é a confusão que mais me surpreendeu.
Hoje inicia-se a um novo ciclo menstrual e foi o dia que me comprometi a comunicar à minha médica da IVI a situação com o intuito de receber dela "instruções" quanto ao que devo fazer para preparar uma nova TEC. Mas ainda não lhe mandei mail. Nem sei quando irei mandar. Não é que não queria fazer a TEC (aconteça isso quando acontecer). Na verdade quero muito seguir em frente e ver no que "isto" vai dar. Mas estou presa na minha "nuvem", inerte na minha zona de conforto, a aproveitar este verão... que poderia estar a ser tão diferente... sem preocupações, sem limitações. Só que a dor (mais uma) acompanha-me sempre e não me resta alternativa senão aprender a conviver com ela.
Por um lado estou otimista quanto ao futuro. Não posso ignorar que houve uma implantação, significa que o plano traçado resultou uma vez, pode resultar outra vez. Pode simplesmente não ter sido um embrião com viabilidade para progredir. Claro que me assombram uma série de outras possibilidades como incompatibildiades, as malfadas trombofilias, alguma incompetência do meu útero, sem lá quantas mais. Mas neste momento estou inclinada para me apoiar no infortúnio. Só o futuro me dará novos dados. Ainda sobram 5 embriões (caso sobrevivam todas à desvitrificação).
Por outra lado, li à dias no forum de mãe para mãe, uma menina a dizer que o mais difícil é parar e aceitar que a maternidade não é para nós. Penso nisso tantas vezes, não poderia estar mais de acordo. Para as tretas da infertilidade ainda sou jovem, não me faltam recursos financeiros, quando devo entender que chegou o momento de virar a página? Já me lembrei disso tantas vezes... de virar a página. Obviamente que não posso fazê-lo enquanto tiver os 5 embriões, mas e depois? Falhas de implantação? Perdas gestacionais? Estas situações dilaceram-nos a alma. Nos dias seguintes à minha perda, acreditei que não queria passar por tudo novamente (nunca o confessei a ninguém... nem ao meu marido), e senti-me em paz. Em paz com grávidas, bebés, voltei a estar com os meus amigos e suas famílias felizes, Apeteceu-me tanto dizer à minha mãe para parar de sonhar com um neto... Mas nos dias de hoje voltaram-me a incomodar grávidas, bebés e famílias felizes, voltei a querer isso para mim novamente. Ainda não chegou a hora de virar a página. Só espero saber reconhecer quando essa hora chegar. É muito mais fácil esperar que estejam reunidas as condições para nova TEC do que não haver TEC nenhuma no horizonte. É muito mais fácil acreditar que vamos ser bem sucedidos do que encarar que acabou.
Vamos ver o que a vida tem reservado para mim.