quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Nós por cá

Hoje apeteceu-me escrever neste blog. Não tenho nada de especial para partilhar no que toca a (in)fertilidade, mas apeteceu-me. Talvez um dia a Ali venha a ler este blog, talvez seja renegado para um confim qualquer virtual, não sei, mas acho que gostava que ela o lê-se. Gostava que ela tivesse alguma ideia de como é um bebé muito desejado, muito sofrido, mas muito amado. Mesmo quando não parecia possível que se fosse concretizar, o amor que sentia por esse hipotético filho, já era imenso. No fundo é o que todas as mães sentem, acho eu. 

A Ali já conta com 9 meses e meio e está irresistível. Já gatinha e se consegue por de pé. Aliás, só quer estar de pé. Está super activa e por isso não fica muito tempo sem a presença de um adulto. Já está na creche e adora andar lá. Isso acalma imenso o meu coração. Não chorei quando a deixei lá no primeiro dia (já tinha regressado ao trabalho à 1 mês, mês esse que ela passou com a minha mãe, e dessa forma pude fazer uma transição gradual), mas emociona-me vê-la com as outras crianças. Emociona-me vê-la a aprender a conviver, a conhecer coisas novas, a descobrir o mundo. No fundo é o que mais desejo... que ela conquiste o mundo, pois eu estarei sempre (enquanto me for possível) a assistir na primeira fila e a aplaudir as suas vitórias e consolar as suas derrotas. A minha querida bebé não é minha, é do mundo, e vê-la a voar (pequenos, pequeníssimos!) voos sem mim, é a maior conquista da minha vida. 

A parte menos boas de ter voltado ao trabalho é as saudades que sinto dela. Pensar que só tenho o privilégio de estar cerca de 3h por dia com ela é doloroso. Também me custou aceitar que não seria eu a assistir na primeira fila às suas pequenas conquistas diárias. Sei por exemplo que começou a gatinhar autonomamente no colégio, eu não estava lá para a ver e encorajar. Mas depois lembro-me do que já acima referi... ela vai viver muito sem mim. A minha função é estar por perto para tudo que ela precisar. 

A Ali é um bebé maravilhoso. Não mudaria absolutamente nada nela (inclusive o seu conjunto de genes). É a minha bebé milagre, o meu amor maior. E veio trazer um novo sentido à minha vida. Pode parecer um exagero, um lugar comum, uma patetice até, mas todos os dias sou muito grata por esta filha que a vida me deu.

E hoje é um dia muito feliz. Nasce mais um bebé milagre destas andanças da (in)fertilidade. E eu sou imensamente feliz quando isso acontece.