sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Histeroscopia

 No dia 25 lá fui eu até à IVI fazer um sono de beleza, mais propriamente uma histeroscopia. Fui convencida que a Dra. C. não iria encontrar nada que justificasse a minha anormalidade, os meus ciclos de 21/22 dias muitos deles com spottings desde a ovulação. Obviamente que já muitas vezes me convenci que tinha algo maligno no útero. Confesso, que quando existe essa perspectiva, na minha situação actual, a taxa de sucesso da última tec, era o que menos me causava preocupação. 

Mas estava enganada. Desta vez não estava “tudo bem”. O meu útero está hipervascularizado. Ou seja, tem vascularização a mais que o considerado normal, e sim, justifica os meus ciclos anormais e spottings, ou seja a implantação está comprometida. Aliás foi recolhida uma amostra de tecido para ser analisada, uma biópsia a um marcador qualquer (não me lembro do nome). Assim descartamos definitivamente aquele problema maior começado por C. Quando a Dra. disse que ia haver uma biópsia o meu coração parou!! Então aquele medo miudinho que eu tenho sempre é real!!! Mas não, ela disse que se fosse algo maligno o aspecto do útero seria bem diferente do meu. Mas nunca se sabe não é?! Com o resultado da biopsia vamos saber se podemos transferir já ou se terei que fazer um tratamento (percebi que era uma coisa qualquer com progesterona durante cerca de 3 meses). Ora então, quero lá saber do resto, não quero é que seja o big C. pois tenho uma filha com quase 3 anos, transferir agora ou daqui a 3 meses, tanto me faz. 


Fiquei contente que mais uma vez se tenha encontrado justificação para a minha anormalidade. Somo mais uma dificuldade para engravidar a todas as outras que já tenho. Caramba a Alice é mesmo um milagre!!! 


Confesso que fiquei emocionante abalada quando sai da IVI. Claro que precisar de PMA me deixa triste, o motivo pelo qual preciso, mais triste me deixa. Mas eu aceitei de imediato os tratamentos. Sem questionar, de coração aberto. Mas não estava à espera é que fosse tão difícil. É sempre a somar dificuldades. Nada corre bem à primeira, à segunda, nem sequer à terceira. Sinceramente, acredito que vamos contornar este novo obstáculo (desde que não seja o big C.), mas desta vez só tenho 1 embrião. Um irmão para a Alice não vai acontecer. 


De qualquer maneira já parei a pílula (que tomei como preparação da histeroscopia), estou a tomar um antibiótico de 8 dias para a endometrite que também existia, e dia 7 tenho ecografia com a Dra. C. A Dra. acha que já teremos o resultado de biópsia, no laboratório que está lá na IVI disseram que demorava 1 mês. Logo se verá quem está certa. Não acredito que seja para avançar para a tec neste ciclo, mas quero ver o que a Dra. vai achar da ecografia. Alimento a esperança que já se saiba o resultado do biópsia. Para já não quero pensar nisso. 

Acho que vou começar a pensar na nossa volta ao mundo do próximo ano.



quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Histeroscopia marcada

 Habemos data. Será na próxima quarta, dia 25.

Sinto que se aproxima o princípio do fim. Gostaria de estar de coração aberto para o vivenciar. 


Depois da catarse emocional que me encontrava no último post, sinto que encontrei alguma paz. Na verdade há uma situação muito próxima de mim que remexeu em coisas muito dolorosas. Qual a probabilidade de pessoas muito próximas de mim precisarem de fazer dgpi (por um problema diferente do meu)? Pois é. As "cenas" estão em toda a parte e atingem quem menos esperamos. Para não falar que a minha querida prima tem a mesma mutação que eu e também fez dgpi. E conseguiu. E eu fiquei imensamente feliz!! 

Para quem não sabe, a preparação de um diagnóstico genético para um gene em específico demora muito tempo. No meu caso, como a minha doença é conhecida e estudada, esse estudo já estava feito e eu não tive que esperar quando resolvemos iniciar o tratamento. No caso em questão ainda era necessário fazer o estudo o que demoraria muito tempo. Enquanto aguardaram pela conclusão do estudo resolveram arriscar uma gravidez natural e fazer a análise das vilosidades coriónicas às 12s. Felizmente desta vez o feto não tinha a mutação e vem aí um bebé!

Mas caramba! Eu nunca sequer equacionei esse possibilidade. E continua a não ser opção para mim. Ponto final. Seria incapaz de interromper uma gravidez, por minha opção, às 12s ou até depois. Mas também seria incapaz de ter um filho com a mesma mutação que eu. Eu sei que a minha doença não é fatal. Nos dias de hoje não é, mas foi fatal para o meu pai. Não sei o que o futuro me reserva, mas as possibilidades são bastante animadoras. Mas continuo a viver com esse pesadelo na minha vida. E ainda nem sintomas tenho (já estou a fazer o acompanhamento médico para esse problema.) Nunca permitiria que um filho meu passasse por isto. Até agora uma sentença, agora uma insegurança. Para terem uma ideia quando começamos os tratamentos em 2015 ainda não existia esta perspetiva animadora como existe agora. Mas eu continuo incapaz de arriscar uma gravidez natural. Na verdade com o meu ciclo super fantástico de 21 dias talvez nem uma gravidez natural seria possível. Mas no fundo, bem lá no fundo, quando me encontrava no limite, quando engravidei da Alice, eu sabia que ainda teria essa possibilidade. De tentar pelo menos. Hoje, nunca arriscaria. talvez nem na altura tivesse arriscado.

Estou completamente segura das opções que tomamos até aqui. Não poderia ser de outra maneira. Raramente me lembro que a Alice é resultado de uma doação. Ela acabará por saber a sua origem, e peço muito para que compreenda as nossas opções. Se assim não fosse, provavelmente nunca teríamos um filho, e ela, na sua essência não existiria. Não seria gerada por mim e eu acredito que isso influencia a pessoa que ela é. Não tenho ilusões, ela não se parece fisicamente comigo, mas é criada por mim. Com toda a minha essência e o meu amor. E isso ela levará com ela de certeza. 

Enfim, acho que fiquei sentida, porque quando me contaram pelo que o casal em questão passou, como se fosse a coisa mais heroica do mundo, ( e foi!! eu não seria capaz de seguir esse caminho), apeteceu-me imenso dizer: "então e eu?! tive que abrir mão dos meus genes, não foi 1 ano, mas sim 2, em tratamentos sem fim. Neste momento estamos a tentar ter outro filho e a passar pelas mesmas batalhas do passado!". Mas quem fala não sabe. E não sabe por opção nossa que preferimos guardar tudo isto só para nós. Às vezes tenho muita vontade de partilhar toda esta bagagem. Mas depois não o faço. Pela Alice. Ela será a primeira a saber da sua origem. Até lá não tenho o direito de falar sobre isso. 

Agora que já desabafei neste blog, penso que estou preparada para a histeroscopia. Quero muito que não se passe nada de mal comigo. Depois quero conseguir fazer a transferência. E, agora, desta vez, quero que resulte. Estou cheia de medo! Mas o medo não me paralisa. Já combinamos cá em casa que se não resultar no próximo ano faremos uma viagem de 1 mês pelo mundo. Com a Alice. Na nossa família perfeitamente imperfeita.  

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Nós por cá

 Estamos na mesma. 

Primeiro foram as nossas férias, depois a vacina da Covid, depois as férias da Dra. C. e o tempo vai passando. Não estou preocupada com isso. Mas sei que tenho que fazer a última transferência. 

Este tempo está a ser bom para observação dos meus ciclos. E que marados que eles são. Fase folicular perfeita, fase lútea super curta e com spotting. Enfim! Como eu odeio isto. A Dra. acha que provavelmente se deve a alguma insuficiência do corpo lúteo e por isso sugeriu fazermos a transferência em ciclo programado. Ora... o meu endométrio não respondeu aos estrogénios no passado, de certeza que não vai responder agora. Mas podemos experimentar. Embora de certeza que não irá dar em nada. No entanto, antes de qualquer tec vou fazer histeroscopia (por descargo de consciência). 

Embora nada esteja agendado, a data está a aproximar-se. E eu só sinto uma enorme tristeza. Será a minha última oportunidade e não alimento esperança que resulte. Será o fim. Se estamos bem como estamos? Estamos sim. O meu marido, que era quem queria mais um filho, neste momento não fala nisso e faz planos para o futuro com a nossa família de 3. Já eu sinto-me absolutamente patológica. Não quero nova gravidez. Mas quero um bebé, uma irmã para a Alice (reparem no pormenor que até em relação ao género sou esquisita!). Sinto uma enorme tristeza quando estou com pessoas muito queridas que estão grávidas, e só queria estar feliz por elas. E estou. Mas miserável por mim.

Não me vejo a fazer novo tratamento. Sinceramente estou bastante perdida e a precisar de encontrar paz.