terça-feira, 8 de agosto de 2017

Nós por cá

I keep praying, believing and hoping, have been for years, so far nothing but silence from my Heavenly Father. I'm on the verge of giving up. 

Vamos andando... Nunca fez tanto sentido esta típica expressão tão portuguesa.

Nunca na minha vida me senti assim tão... sem saber o que sentir. Não vou dizer que a perda gestacional foi a batalha mais dolorosa que perdi, porque sinceramente já houve outras tão dolorosas como esta. Mas foi esta que levou toda a esperança que tinha em um final feliz. Essa é a verdade. Hoje não acredito que algum dia terei um filho. E com isto não vou dizer que dou por encerrada esta luta. Pretendo transferir os 5 embriões da IVI. Esgotando-os não sei o que farei a seguir... provavelmente será o encerramento oficial desta luta. Mas para já irei preocupar-me em reunir todas as condições para uma nova TEC. Lá para setembro ou outubro. Mas não acredito que volte sequer a ter um positivo.E isto é um sentimento bastante ambíguo...

Tenho notado grandes mudanças em mim. Até agora incomodavam-me gravidezes, bebés e famílias felizes. Sentia uma enorme pena de mim própria. Continuo a sentir... mas de uma  forma definitiva. Não são para mim. Está na altura de convencer-me dessa dura realidade e aproveitar as coisas boas que a vida tem para mim. Não sei se será maturidade... indiferença... tristeza... sei que é isso que sinto.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Show must go on

Ontem tive consulta de reavaliação e tive alta. Está tudo "limpo". Parece que o meu corpo foi super eficiente em seguir em frente... fiquei aliviada. Quem já passou por isto sabe que, quando sabemos que temos um embrião sem vida dentro de nós, só queremos que o pesadelo acabe o mais rápido possível. A médica que me atendeu ontem foi uma querida. Fiquei a saber que tinha direito a 1 mês de baixa paga a 100% (obviamente que não a quis... preciso de estar ocupada mais que nunca) e que aconselham 2 /3 meses para voltar a tentar uma nova gravidez. Também me disse que estas situações são muito mais frequentes do que se pensa e devem-se a uma aleatoridade... não sei se será bem asssim... já são tantos obstáculos, tantas contrariedades. Agora tenho que arranjar coragem para informar a Dra. C. e obviamente que ela sim irá dizer quando podemos pensar numa nova TEC. Não sei se quererá fazer algum exame nos entretantos mas agora só quero esquecer tudo isto. Obviamente que não estou preparada para pensar nisso...

Quero voltar viver o que existe na minha vida além da tentar ter um filho. Tudo isso está para segundo plano há muito tempo... o meu trabalho, as actividades que me dão prazer, a minha casa, até de cuidar de mim me fui esquecendo... mas mais importante que tudo, o meu casamento. O meu marido é a coisa mais importante do mundo para mim e nos últimos tempos só pensava em outras coisas. Agora quero aproveitar este tempo só para nós.

Obviamente que este aperto no peito que sinto não irá passar nos próximos tempos. Mas esta experiência ensinou-me algumas coisas... se voltar a conseguir em positivo não vou viver as coisas de mesma forma. Não adianta nada preocuparmo-nos... não desfrutarmos, viver com o coração nas mãos, porque não muda o nosso destino. Se tiver que correr mal, corre na mesma. (vocês avisaram-me na caixa de comentários... mas eu nunca relaxei e aproveitei... um sexto sentido talvez).

Muito obrigada a todas por estarem desse lado e sorrir e a chorar comigo... desejo-vos a todas melhor sorte que a minha e muitos, muitos sorrisos.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Seguir em frente

Escrever este post é obrigar-me a lidar com o assunto. Aceitar o que aconteceu eu já aceitei. É porque não tinha que ser. Quanto mais cedo melhor. 

Eu sou boa em seguir em frente, a reagir... não sei se movida pela raiva, pelo desespero, mas sou boa... o pior será depois. Quando se passar mais tempo e começar a  reflectir realmente no que aconteceu e nas suas consequências. 

Cada vez penso mais que talvez seja o que o destino quer para mim. Não ter filhos. E tal como antes desta TEC, essa ideia já não me assusta tanto. Só tenho pena que o meu marido seja privado de algo tão natural por minha causa. Embora ele diga que viverá bem na mesma sem filhos, tem muito mais na vida além disso. Os filhos seriam um acréscimo, se tivermos melhor, se não tivermos está bem na mesma. Eu acredito nele, mas não sei se daqui a 5 ou 10 anos pensará igual. Veremos como será a nossa vida nessa altura.

Sobre o aborto não vou alongar-me. Nada de bom poderei escrever, a não ser que se na reavaliação de hoje já estiver tudo "limpo", não posso queixar-me muito. Fisicamente nem foi muito mau, nada que um analgésico forte não tenha resolvido. Caso ainda não esteja resolvido, terei nova dose de comprimidos e/ou intervenção cirúrgica. A ver vamos... 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

As pedrinhas todas...

No fundo eu sabia que tinha que apanhar as pedrinhas todas... faltava a perda gestacional.

Depois das perdas se intensificarem, ficamos a saber que o embrião parou de desenvolver às 8semanas + 1 ou 2 dias... 1 ou 2 dias depois da ultima ecografia. 

Para já é tudo que consigo escrever. A minha cabeça está vazia... agora é esperar que os comprimidos façam efeito é que seja pouco doloroso (se é que posso pedir isso...).

É preciso uma força do caraças para passar por tudo isto. Pensar em passar outra vez... é difícil imaginar voltar ao processo de início. Não sei se terei força e coragem. Amanhã logo se vê. 

9º semana

Hoje entramos na 9ª semana. Já começa a parecer alguma coisa... faltam 5 semanas para acabar o 1º trimestre e puder confiar mais um pouco que vai correr bem. Para já é muito cedo para "cantar vitória". 

Na terça, na quinta e hoje de manhã as perdas de sangue marcaram presença no seu registo. Afectam-me imenso. Se num dia estou contente e confiante que está tudo bem, no dia seguinte parece que caio na real e penso "calma lá! Nada de planos, um dia de cada vez!". E é assim mesmo que tem que ser: 1 dia de cada vez. Se o tratamento de fertilidade ocupa a nossa cabeça, estas primeiras semanas de incerteza, ainda para mais quando há sangue, são muito, muito piores de lidar. 

Já temos consulta marcada com o obstetra para dia 3/8, a próxima quinta feira e vamos lá ver se ele encontra alguma explicação para esta situação das manchas de sangue, corrimento ensanguentado, o que quer que esta porcaria seja (nunca manchou as cuecas nem ficou na sanita - perdão pela descrição). Só espero que corra tudo bem até lá... e que acima de tudo, esteja tudo bem com o embrião na consulta. Vivo com o coração nas mãos desde que soube da gravidez... é muito complicado lidar com esta ansiedade, este medo constante... e não consigo libertar-me disto é já estou cansada desde estado de medo constante.

Esta semana também ficou marcada pela interrupção da administração da progesterona intramuscular. Na verdade tivemos indicação para parar logo no dia da consulta com a Dra. C. Segundo a Dra. a placenta já era mais que suficiente para produzir a progesterona necessária, mas como ainda tínhamos 2 ampolas em casa pedi à Dra. para continuar a tomar.... ela concordou, e até disse que se fosse para eu ficar mais sossegada tudo bem, mas não era necessário. Agora já acabou oficialmente e eu estou cheia de medo que faça falta. Na verdade o meu rabo agradeceu imenso... o meu pobre marido já não via área "decente" para dar a pica. Eu confesso que já nem sentia nada de especial... habituei-me àquilo. Todo o mal fossem umas picas no rabo...

A parte boa, que será impressão minha ou não, é que parece-me que a barriga já começa a fazer-se notar. Mais ao final do dia... quanto ao resto não há mais nada de novo. Enjoos nem ve-los, pelo contrário a fome tem sido minha companheira. 


sexta-feira, 21 de julho de 2017

2ª Eco - 8 semanas

Hoje o meu coração sossegou mais um bocadinho. Está tudo bem. Tudo ótimo.

Hoje ouvi o coração do meu embrião pela primeira vez. E que forte que ele bate! Conseguimos ver todas as partes devidamente diferenciadas e o que mais me impressionou foi o cordão umbilical já devidamente a ligar-me ao meu embrião! Embora seja confuso, há vida dentro de mim! Este embrião não tem o meu código genético, mas agora está ligado a mim, e eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para que seja por muito, muito tempo. 

Quanto às perdas a Dra. C. reforçou que o mais provável é serem do colo do utero. Não há absolutamente nada na ecografia que sugira que sejam de outros local. Não há o mínimo sinal de descolamento e o desenvolvimento embrionário é compatível com a 8ª semana. Não poderia estar melhor. Que alívio...

Hoje tivemos alta da IVI. E eu fiquei nostálgica... foram viagens praticamente semanais para lá. Foi lá que tudo se passou e é lá que pretendo voltar (mas só lá para 2019!). Só espero que corra tudo bem até lá... Nunca esquecerei a importância que a Dra. Catarina Godinho teve neste processo. Já li algumas críticas à clínica, e a ela que tenho que publicamente discordar. O meu tratamento foi completamente personalizado e individualizado. A Dra. soube dirigir o processo de forma a ter sucesso, adaptando o protocolo após o aconselhamento do exame ERA, que no meu caso foi fundamental, já para não falar na disponibilidade para nós, mesmo estando de férias. Não poderia estar-lhe mais agradecida e feliz por nos ter calhado ela quando marcamos consulta na IVI. Ainda hoje estava lá um casal com uns gémeos de 2 anos que apenas passaram lá para cumprimentar a Dra. e mostrarem os bebés... 

Obviamente que eu sei que nada está garantido. Ainda faltam umas semanas para passar o período crítico do primeiro trimestre. Para já vamos manter este milagre para nós os dois. Mas talvez hoje já me permita sonhar um pouco. Talvez passemos a ser uma família feliz de 3 humanos e 1 cão brevemente. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

5 semanas após a transferência

Independentemente do que possa vir a acontecer, chegou a hora de agradecer.

Como já fui partilhando por aqui, estás semanas não estão a ser maravilhosas. Já sabia que se algum dia conseguisse um positivo, iria ser complicado, mas está a ser mais do que imaginei. A verdadeira emoção disto tudo chegou com o positivo. Objetivamente a única coisa que pode ser preocupante são as manchas de sangue que por vezes me acompanham. Sempre as tive, se se tratassem de um aborto talvez ja tivessem sofrido alguma alteração, aumentado, não sei... sei que vivo aterrorizada com isso. A verdade é que mesmo se não as tivesse estava aterrorizada. Foi muito tempo e emoção investidos para chegar onde estou... o medo de perder é imenso. Tudo isto para explicar que, apesar de tudo, estou imensamente agradecida por estar onde estou. Quando vi as duas riscas no teste de gravidez, fiz as pazes com a minha fé. Fé essa que reneguei há muitos anos atras, ainda crianca, quando o diagnóstico de uma doença genética hereditária chegou à minha família. Esta criança terá essa importância para mim... Graças à ciência terei de alguma forma, vencido essa doença. 

Muito mais tenho a agradecer. Mas para já não posso alimentar grandes esperanças. No outro dia ao jantar o meu marido começou a falar de nome daríamos a este embrião... nunca falamos sobre isso antes, mas ele está tão confiante que pensa que já nós podemos dar a esse luxo. Embora tenha partilhado com ele os meus gostos, não estou à vontade para ter esse tipo de conversa. Não ainda...

Vamos ver o que a ecografia de sexta nos reserva. Será no dia que chegaremos à 8ª semana (caso corra tudo bem até lá).