quarta-feira, 17 de abril de 2019

1 ano

Faz hoje 1 ano em que a Ali, o embrião da Ali, foi transferido. Faz hoje 1 ano que fazemos parte da vida uma da outra. É um dia de grande emoção. Neste ano conheci sentimentos e sensações muito boas. Os tratamentos de PMA mudaram a pessoa que eu era, mas a maternidade mudou ainda mais. Hoje conheço a emoção numa forma muito pura e intensa. Só um filho nos permite esses sentimentos. Sou uma pessoa muito mais feliz e em paz com muitos aspetos da minha vida.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Encerrar um ciclo

Ontem foi encerrado um ciclo da minha vida. Aproveitando uma ida à Lisboa por outro motivo, fomos  ao IVI com a Ali. Se precisávamos de fazer isso? Obviamente que não... mas queríamos, orgulhosamente, apresentá-la à Dra. C. Foi graças a ela que a temos e para nós fazia sentido que a conhecesse. Senti-me muito bem, não i vou negar. Foram muitas emoções, muitas delas dolorosas, vividas naquela sala de espera. Mas ontem fiz as pazes com mais partes de mim. Está tudo bem. Tenho a minha bebé, que é tudo para mim é que me trouxe uma felicidade inexplicável.

Já se passou praticamente 1 ano desde que estivemos lá pela última vez. A tec foi dia 17/4 e depois só voltamos lá para a 1.ª ecografia, a 2.ª fizemo-la no IVI de Vigo. Está tudo tão igual e tão presente na minha memória que chega a ser perturbador. Não consigo deixar de pensar nos 2 embriões que nos restam e no que iremos fazer com eles. Neste momento nem  sei como está a lei do anonimato dos dadores, a tec da Ali foi uns dias antes da alteração (mesmo a tempo de mais uma dor de cabeça). Mas agora isso não interessa nada. Interessa aproveitar o nosso bebé milagre.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Nós por cá

Continuamos a viver na nossa bolha de felicidade.

É incrível, como conscientemente, só agora que tenho a minha bebé percebo como precisava dela na minha vida. É um amor quase absurdo que sinto por ela. Deve ser assim que todos os pais sentem os seus filhos.

Conforme prometi, vou partilhar um pouco da minha experiência de ter um filho em que o código genético não é meu. Como sabem as pessoas estão sempre há procura de semelhanças nos bebés. Como isso para mim nunca teve importância nenhuma, nem sabia que era assim. E a verdade é que a minha filha não tem rigorosamente nada meu. Como haveria de ter não é verdade? É parecida com o meu marido é verdade. Mas certamente também terá semelhanças com a dadora. Toda a gente diz que é a cara do pai porque não lhe vêm nada meu. Como eu me sinto com isso? Muito feliz por ser parecida com o meu marido. Os meus dois amores. Não me causa confusão nenhuma os comentarios. Obviamente que tenho curiosidade de conhecer as feições da dadora. Mas fica por aí mesmo. Curiosidade. A grande maioria do tempo não me lembro da particularidade como a minha bebé foi gerada. Mas ela existe e obviamente que tenho algum receio da sua reação quando souber, se é que vai saber, da forma especial como foi gerada. Mas não vivo preocupada com isso. Como tudo na vida, a seu tempo tentaremos gerir essa situação da melhor maneira possível. Até lá, espero criar e educar a minha filha de forma a preparar-lá para esse dia. Amor nunca lhe irá faltar. A Ali veio trazer muita alegria e esperança a todos que a rodeiam. Mal a vi tive a certeza que está bebé estava destinada para mim. Não era mais nenhuma. Era está. O meu bebé milagre.

Embora tenha vindo pouco ao blogue vou acompanhando as lutas de quem acompanha a minha. Sempre que acho que a minha história pode ajudar assim como trazer esperança a alguém, comento no fórum de mãe para mãe pois sinto cada dor como se fosse a minha. Jamais se esquece estas dores. Mas a felicidade de ter um bebé é igual à de quem não passa por nada disto. Ainda existem 2 embriões na IVI, daqui a algum tempo temos que decidir o que fazer com eles. Não sei se terei coragem para os transferir, para voltar àqueles locais sombrios da infertilidade. Logo se verá. Para já a Ali completa completamente o bocado que me faltava.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Nós por cá

Vamos vivendo a maior felicidade a saborear cada dia da nossa Ali. Cada conquista nova dela, cada noite mal dormida... tudo é um doce. Tão normal... tão igual a toda a gente que não estou habituada a esta facilidade na vida. Não estou com isto a dizer que tudo é fácil na maternidade. Não é. A amamentação foi muito difícil, não desisti (ainda não sei bem porquê), continuo a amamentar, mas já sofri muito com isso. A relação com o meu marido inevitavelmente mudou. E custou-me perceber que já não sou o centro do mundo dele. Egoísmo? Sem duvida. Adoro o amor e a relação que tem com a Ali, mas senti falta dele no pós-parto. As duas primeiras semanas não foram fáceis fisicamente. Mas tudo isso já passou. E passava por tudo novamente para ter a minha bebé. 

O tempo não tem sido muito por cá, mas prometo um post sobre como é olhar para um filho que não tem o nosso DNA, sei que têm curiosidade sobre isso, e sobre a minha experiência com a amamentação que é só mais uma, e é a minha com a minha bebé, cada mãe e cada bebé é que sabem o que é melhor para si. 

Beijinhos queridas e para quem ainda continua na luta, estão sempre no meu coração e torço muito para que conheçam a doçura da maternidade 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Post em atraso

Ando para fazer este post há imenso tempo, inclusive cheguei a começar a escrever um no dia 12, quando a minha Ali fez 1 mês, mas a vida tem sido tão absorvente que não tem sido fácil. 

Já se passou mais de 1 mês desde que a minha princesa nasceu e parece inacreditável! O tempo está a voar. Na semana passada o meu marido voltou ao trabalho e começou a minha aventura a solo. Estava  com tanto medo de não dar conta do recado... e eu sempre fui uma pessoa confiante, mas tratar de um filho é a missão mais importante que temos na vida. Para já acho que está a correr bastante bem. Até já fui sozinha com ela ao centro de saúde apanhar uma vacina e tudo! Juntas somos mais fortes. 

A Ali já não é a bebé que só quer dormir que era na primeira semana, e penso que é normal. Neste momento já começa a fixar o olhar em algumas coisas e na nossa cara. É uma ternura... Infelizmente os desconfortos intestinais, penso que não são as temíveis cólicas ainda, já a começam a chatear. Praticamente só chora para mudar a fralda, detesta a diferença de temperatura, e quando acorda cheia de fome. É que fome ela tem! Está a ficar gordinha a minha princesa, e eu adoro ve-la assim. Quando viemos embora da maternidade já tinha perdido os 10% de peso que é normal os recém-nascidos perderem, e por isso tivemos que ter bastante cuidado com a alimentação, mas rapidamente os recuperou e agora já deve estar perto dos 4Kg. Segunda feira vai ao pediatra e já saberemos. 

Queria partilhar convosco a aventura da amamentação, mas é um termo tão complexo que acho que dá um post só sobre esse tema...

É por aqui vamos vivendo, apaixonados por esta bebé que veio revolucionar a nossa vida. A vida tal como eu a conhecia já não existe. Não vou dizer que por vezes não tenho saudades de simplesmente sair e fazer o que quiser, mas ganhei tantas, mas tantas coisas em compensação. Também tenho saudades de dormir mais de 2h seguidas mas isso... isso é compensado por aquele cheirinho docinho e por aquele sorriso involuntário que me aquece o coração. 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Obrigada 2018

Faz hoje exatamente 1 ano em que me senti numa tristeza profunda. 2017 foi um ano muito duro em termos de fertilidade, mas o pior de tudo foi a perda gestacional. Lembro-me que me senti numa tristeza e solidão profunda, mesmo estando numa festa cheia de gente. Estava com todas as pessoas que me são queridas, mas sentia um vazio imenso. Quando soou as 12 baladas, durante o fogo de artifício não consegui segurar as lágrimas... só o olhar cúmplice e doce do meu marido me valeu. Aquele olhar dizia-me que íamos ficar bem. E ali eu percebi que tinha que me preparar para aprender a viver com aquele vazio. 

Mas 2018 mudou o rumo da minha história. Hoje estamos em casa e não numa festa glamurosa. Apenas nós, os nossos cães, a minha mãe e o companheiro dela (aos 33 anos custa-me chamar-lhe padrasto, embora goste imenso dele e tenha a certeza que será o mais próximo de um avô que a Ali terá), e mais importante que tudo, o nosso tesouro a dormir tranquilamente à nossa beira. 

Serei eternamente grata a 2018. Foi o ano mais desafiante, mais emotivo e mais mágico da minha vida. Deixo uma mensagem de esperança para quem me segue e ainda não conseguiu mudar o rumo da sua história. Hoje podem sentir a tristeza e o vazio que eu já senti, mas não desistam de lutar por aquilo que vos fará mais feliz. 

Hoje sinto-me feliz e plena. Obrigada 2018. Obrigada Ali, meu embriaozinho lutador, obrigada por não teres desistido de lutar e hoje me permitires ser tua mãe. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Sobre esta coisa do parto e do pós parto

Quando se trata de um primeiro filho acho que não sabemos muito bem com o que contar durante e após o nascimento. Eu pelo menos não fazia ideia. Primeiro foram os tempos, anos, focados em engravidar, depois foram os 9 meses com medo que algo não corresse bem durante a gestação. Nunca, em momento algum, valorizei o que me iam dizendo sobre o parto, muito menos sobre o pós parto. No curso que fiz que preparação bem que a enfermeira referia para não nos assustarmos por sairmos da maternidade com uma barriga de 6 meses e para estarmos preparadas para as limitações físicas, principalmente após uma cesariana. Mas eu queria lá saber... nessa altura só estava preocupada que a minha Ali estivesse a desenvolver bem dentro de mim. 

Em relação ao parto, correu tudo maravilhosamente. Estava cheia de nervos como seria de esperar em mim. Não dormi nada de terça para quarta tal era o medo que algo não corresse bem, mas também pela emoção que seria conhecer a minha bebé. Apesar de tudo, nascer com 37s é diferente de nascer com 40, 39, ou até mesmo 38. Havia a forte possibilidade de ter que ir para a neonatologia. E estávamos preparados para isso. Felizmente não foi preciso. Mas foi por pouco... Foi tudo maravilhoso, a bebé chorou logo, com um peso ainda melhor que o esperado, tudo muito bem até começar a soluçar e aí o pediatra e a enfermeira parteira tiveram que intervir. Ainda bem que aquela gente sabe o que faz e rapidamente perceberam que talvez fosse a glicemia que estava baixinha. E assim foi... deram-lhe logo um biberão de leite e felizmente a minha lutadora bebeu tudo sem parar e rapidamente ficou normal, sem necessitar de neonatologia. É mesmo uma lutadora a minha bebé. Nascer é de facto um trauma para qualquer um de nós. Felizmente correu tudo bem após este pequeno susto e apartir daí pudemos desfrutar da nossa bebé. 

Quanto à recuperação da cesariana agora estou praticamente pronta para outra (ESTOU A BRINCAR). Quase uma semana depois continuo com os pés inchados, aliás não faço ideia do que vou calçar na quinta feira para o aniversário de um familiar. E achava eu que tinhas os pés inchados na gravidez... aquilo não era nada! A parte boa é que as mãos já estou normais e até já consigo usar a minha aliança de casamento. A cara ainda continua inchada também. Estou ansiosa que estes inchaços passem, mas tirando isso a coisa está a correr bastante bem. Na sexta feira vou ter consulta com a obstetra para ver como está o útero e a incisão cirúrgica. Felizmente não levei pontos. Não sei lá que técnica usaram mas a mim parece-me muito melhor assim. Mas no dia seguinte, no dia que escrevi o ultimo post, só me ocorria que fui bem inocente no tipo de parto que queria. Aquilo estava a custar... levantar da cama após 24h, o primeiro banho, foi muito complicado. Só pensava que estava a pagar por tudo que quis... mas hoje, volto a reconhecer que seria melhor assim. Eu não tenho cabeça para passar por um trabalho de parto. Depois pago a fava no pós-op. 

Agora a parte pior disto tudo é mesmo olhar-me ao espelho e não gostar mesmo nada do que vejo. E não estava preparada para isso. Estava tão foçada no bem estar da bebé que não me preparei emocionalmente para o que aí vinha. Obviamente que a barriga já está melhor que nos primeiros dias, mas mesmo usando uma faixa, está a anos luz que estar como eu pensei que fosse ficar após o parto. Além de não saber o que calçar por causa dos pés inchados, também não sei o que vestir! Praticamente não comprei roupa de grávida porque a barriguinha ficava bem com roupa justa... mas e agora?! Roupa justa está fora de questão... além disso, estando a amamentar, temos que usar roupa que facilite essa tarefa. Ou seja, não é fácil. Fisicamente sinto-me uma lástima. Obviamente que o facto da bebé estar bem, já conseguir cuidar dela, e ver o amor que o meu marido sente pela sua menina, faz tudo parecer insignificante. E é. Eu é que deveria estar melhor preparada para isto. Com o tempo voltarei a sentir-me bem comigo mesma... para já é ir sobrevivendo. 

O que ainda não disse, e mais importante que tudo, é o amor que sinto pelo meu embriaozinho lutador.... é arrebatador este sentimento. Ainda nos estamos a descobrir, mas eu adoro esta bebé mais que tudo. Até os meus cães estão encantados. Não saem da beira dela. Sou uma felizarda com esta família que hoje tenho. O meu amor... o homem da minha vida, os meus patudos que adoro e tornaram os caminhos da infertilidade mais doces de percorrer, e a minha Ali. A minha bebé que não tem os meus genes, mas tem o meu amor e a minha dedicação para toda a vida.