terça-feira, 26 de outubro de 2021

Eco 7s e 7d

 Na sexta-feira, dia 22, tive consulta com a minha obstetra. 

Foi muito especial ouvir o coração do embrião. Já não me lembrava como podia ser especial. Até aquele dia estava tudo a desenvolver dentro da normalidade, a idade gestacional era de 8s e 1d. 

A minha tensão arterial estava alta na consulta, a médica até me receitou medicação para baixar. Mas tenho medido em casa e estão boas. Eu tenho mesmo um problema com a medição... se soubessem como sofro sempre que tenho que medir as tensões. Depois da gravidez da Alice, por causa da pre-eclampsia, este medo virou pânico. Mas se medir em casa, sem stress, estão normais. Tenho consulta na próxima semana, às 9s e 7d, e vou voltar a falar com a médica sobre se deve mesmo começar a medicação... a medicação é segura, mas se não tiver realmente hipertensão e me baixar a tensão em demasia também não será bom. Mais para a frente deverá ser inevitável fazer a medicação. 

Estamos numa semana muito crítica para mim. Foi por esta altura que na minha primeira gravidez o embrião parou de evoluir. Vivo num medo constante. Odeio isto. De facto um aborto supera-se mas fica uma ferida que nestas alturas volta a sangrar. Não vejo a hora de passar o primeiro trimestre e ainda falta uma eternidade. Na gravidez da Alice ainda havia o fator novidade do que iria acontecer a seguir para dar alento, desta só quero mesmo que o tempo passe. Quer seja para bem ou para o mal, quero que passe. 

Gostava de ser daquelas mulheres que adoram estar grávidas. Adoram as alterações que o corpo passa. Mas não sou. Sinto que perco a identidade. Não posso vestir o que quero, mas aquilo que me serve. Hoje vesti pela primeira vez uns jeans de grávida. Só vesti porque já os tinha, caso contrário não teria comprado nada ainda. E detesto sentir um cansaço enorme ao final do dia... às vezes adormeço quando estou com a Alice e quando estou sozinha com ela é complicado aguentar a energia de uma miúda de quase 3 anos. Isso a fome que tenho... só me apetece comer humburgeres. A continuar assim vou ficar uma bola! E não quero... É que a fome não é uma fome normal, é incontrolável. Lá está, não tenho controlo nenhum sobre o meu corpo. 

Embora tudo isto, o medo gigante que tenho que corra bem e não saiba encaixar um bebé recém-nascido na minha vida, o medo de falhar com a minha filha, quero muito que ela tenha este irmão/irmã. Acredito que a vida dela vá ser mais feliz com essa companhia. Eu sei que desta vez sei gerir melhor a ansiedade, já não tenho TUDO a perder, porque já tenho TUDO, mas caramba... não quero que aconteça nada de mal a este embrião que já faz parte de mim. 

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Desabafos

Isto vai parecer um post um bocado tonto mas estou a precisar de escrever o que me vai na alma, e este blog sempre foi uma espécie de terapia para mim. 


Estamos de 6s e 6d e sinto que o tempo não passa. A gravidez é uma autêntica maratona. Já partilhei aqui que não gostei particularmente de andar grávida e não é por o estar novamente que passei a gostar. Não gosto que a minha roupa já não me sirva, não gosto que tenha que ser muito criativa para esconder a barriga que desta vez fez-se notar ainda nem o beta tinha feito, e desta vez não gosto de viver enjoada e exausta. Mas acima de tudo não gosto da pessoa ansiosa que me torno quando estou grávida. Acreditem ou não, sempre que vou à casa de banho tenho medo de ver sangue. TODAS as vezes. isto é cansativo. Vivo com medo. Medo que me aconteça alguma coisa, medo de perder este bebé e medo de falhar com a Alice. E como já tenho falhado... sinto-me EXAUSTA ao final do dia. Logo a paciência com ela já não é a mesma. As idas ao parque também se tornaram menos frequentes porque ir sozinha com ela é difícil.  Ainda estamos na fase crítica e a minha boneca já começa a sentir o "peso" de ter um irmão. Eu esforço-me para contrariar isto, mas estou tão cansada e enjoada que não é fácil. E sinto-me tão mal por isso. Dizem que um irmão é o maior presente que lhe posso dar e agarro-me a isso, porque eu sinceramente tenho tantas dúvidas. Lembro-me muitas vezes do porquê de não querer fazer as transferências e ter mais medo que resultasse do que do contrário. E quando me lembro do pós-parto e da privação do sono? Até tenho medo desses pensamentos. Lembro-me muitas vezes de pensar, quando a Alice era recém-nascida, onde os outros pais conseguiam encaixar outra criança com um recém-nascido. Eu não sei como irei conseguir! Mas isso preocupa-me. Quero que a Alice sinta as mudanças o menor possível. Ela é a minha prioridade. 


Não pensem que com isto estou a ser mal agradecida. Embora pareça. Continuo muito feliz que a tec tenha resultado e espero mesmo que corra bem. Disse que estou ansiosa, e embora seja verdade, não estou na dimensão da gravidez da Alice. Aí tinha um sonho por cumprir. Esse sonho está cumprido. Um novo bebé será uma dádiva maravilhosa da vida que, sinceramente, já não estava à espera de receber. Daí estar mais tranquila e disposta a aceitar o que a vida tem destinado para mim. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

1.ª eco - 5s + 5d

 Ontem, dia 6, fomos à IVI fazer a eco de confirmação da gravidez. Está tudo bem. Mais que bem. O saco é normal e já se vê o embrião e o coração a piscar. Mais do que é suposto para esta idade gestacional. 


Que alívio! Já não me lembrava de estar nervosa na clínica… sempre estive muito calma e serena desde que começamos esta jornada por um 2.o filho. Confesso que a transferência que fiz em maio achava que ir resultar e não queria que resultasse, ou era-me indiferente. Burra que eu fui. Está queria que corresse bem, mas acabava que não ia correr. Foi uma surpresa maravilhosa. 


A nossa jornada na IVI terminou ontem. É que nostalgia eu sinto… tantas emoções… desilusões e esperança vivi ali. Sou profundamente grata à Dra. Catarina Godinho. Já era, mas agora ainda sou mais. 


Obviamente que esta gravidez está apenas no início, morro de medo que algo corra mal. Comigo e com o embrião. Mas tento aceitar o que a vida tem reservado para mim. Se me quiser presentear com mais um filho, serei eternamente grata por isso, se entender que será melhor a Alice ser filha única, ao me restará aceitar. 


Continuo a achar que não serei capaz de amar outro ser como amo a Alice e morro de medo de lhe falhar. Esta gravidez começou logo cheia de sintomas, são só quase 6s mas já não consigo vestir nenhuma das minhas calças de ganga (!!!) e sinto um cansaço extremo ao final do dia (tal como na gravidez da Alice). Mas agora existe a minha boneca, e tenho que continuar a ser a mãe que ela merece que seja, mesmo estando super cansada e a paciência não seja a mesma. E la estou eu a falhar com ela… e esse peso persegue-me. Durante muito tempo acreditei que não teria a sorte duas vezes. E na verdade ainda nem sei se este embrião vai evoluir. Mas sinto que sim. Sinto que vai correr bem e tenho imensa curiosidade de saber se é menino ou menina. 


Mas depois obrigo-me a manter os pés bem assentes na terra. Muita coisa pode ainda acontecer e tenho que estar preparada para tudo. 


A próxima ecografia é dia 22, às 8s e já será com a obstetra que acompanhou a minha gravidez. Troçam por mim, por nós!