
Digamos que no que diz respeito a ter um filho, a esta treta da infertilidade, já estou cansada do everything falls apart.
Estou para aqui a tentar preparar-me para os próximos dias, para dia 23 ter mais uma bela desilusão. Achas que vais fazer uma nova TEC? Wrong feeling. Try again next year. Se isso acontecer só poderei aceitar e sorrir. É porque o Universo está definitivamente a dizer-me para esquecer isto. Mas então e os 5 embriões que ainda temos? Podíamos sempre doa-los. Sempre haveria a possibilidade de continuarem por cá os maravilhosos genes do meu marido!
Na verdade neste momento em que me encontro tenho medo de fazer a TEC, de não fazer a TEC, tenho basicamente medo de tudo. Ainda ontem me achava preparada (mais que preparada!) para transferir 1 embrião, mas agora já não sei. Não sei se quero passar por tudo novamente. Sei muito bem que se quero ter um filho (tentar vá...) tenho que passar por isto outra vez. Endometrio cresce? Não cresce? E este spotting será que interfere? E se faço a TEC e dá negativo? (Algo bem provável). E se dá positivo? Ui ui se dá positivo. Aí é que começa a verdadeira montanha russa.
É muito difícil falar nisto, mas um aborto como o meu, aliás como todos, é uma coisa que não se ultrapassa facilmente. Obviamente que é sempre difícil, mas caramba... eu abri mão do meu código genético, nunca terei um filho parecido comigo ou com alguém da minha família, para depois me acontecer isto! Pode muito bem ser o Universo a dizer-me mais uma vez para ganhar juízo e aceitar que não terei filhos. Ponto final.
O processo de ter um filho era suposto ser fácil, ser lindo, ser mágico... e o meu já vai longo, conturbado e doloroso. E pode se prolongar por mais uns tempos. E eu não sei se quero continuar nisto muito mais tempo. Não sei se emocionalmente consigo. Só queria a inocência do primeiro tratamento e a esperança que tive no último. Neste momento nem sei bem o que quero, o que sinto, o que ando para aqui a fazer.




